A realização de um sonho
A trajetória da Band começou no final dos anos 60, como resultado do projeto de expansão de João Jorge Saad na área das comunicações. Antes de fundar a televisão, o empresário já possuía experiência em mídia com a Rádio Bandeirantes, que havia adquirido em 1948 e transformado numa das principais emissoras do Brasil. João Saad era um pioneiro e acreditava no poder da informação:“Em 55, meu pai lançou o modelo de radiojornalismo ao vivo durante 24 horas. Estava então, convencido de que a informação seria o mais importante vetor do futuro”, ressalta Johnny Saad, atual presidente do Grupo Bandeirantes de Comunicação e filho do empresário.
Desde 1954, quando obteve a concessão do canal 13, João Jorge Saad alimentava o sonho de criar uma emissora de tevê. Na visão dele, o veículo, que chegara ao Brasil em 1950, se tornaria essencial à sociedade brasileira. A partir daí, várias viagens ao exterior foram realizadas para pesquisar o que havia de mais moderno nos Estados Unidos e Europa. No Morumbi, em 1961, iniciaram-se as obras do Edifício Radiantes – um prédio especialmente construído para abrigar a mais moderna televisão da América Latina. Foram 13 anos de planejamento.
A TV Bandeirantes de São Paulo (canal 13) entrou no ar no dia 13 de maio de 1967, um sábado de temperatura amena na capital paulista. Um discurso de João Saad, seguido de show dos cantores Agostinho dos Santos e Cláudia, abriram as transmissões. Também presentes à solenidade, o presidente Costa e Silva, o governador de São Paulo Abreu Sodré, o prefeito Faria Lima, ministros e secretários de Estado. Em frente à emissora foram montados um parque infantil e um circo gratuito para famílias de menor poder aquisitivo. Durante dois dias houve gincanas e brincadeiras, com distribuição de brindes comemorativos. Com base no que havia feito no rádio, João Saad ressaltou que a programação da tevê seria a melhor possível, não demasiadamente clássica, pois o povo pedia algo mais simples. Teria como base jornalismo, esporte e entretenimento, como filmes, programas de auditório e musicais. O canal 13 entrou no ar sem intervalos entre os programas, e a separação das atrações era feita com a exibição do “coelho bandeirante”, mascote da nova emissora.
Inovação no ar
No dia 15 de maio de 1967, segunda-feira posterior à inauguração do canal, entrava no ar, às 19h20, Os Miseráveis, novela de Wálter Negrão e Chico Assis baseada no homônimo de Victor Hugo. Dirigida por Walter Avancini, a trama era exibida em capítulos diários de 45 minutos, uma inovação para o telespectador que estava acostumado a sessões que duravam de 15 a 30 minutos. Com isso, a TV Bandeirantes estabeleceu um padrão que logo foi imitado e que até hoje é usado por todas as Redes. A vocação jornalística da TV Bandeirantes também se manifestou logo, com a estréia em 1969 dos “Titulares da Notícia”, filhote do programa de mesmo nome que já fazia sucesso na Rádio Bandeirantes. Apresentado por jornalistas de peso como Maurício Loureiro Gama (primeiro apresentador de telejornal da América Latina), Vicente Leporace, Salomão Esper, Murilo Antunes Alves, Julio Lerner, Lourdes Rocha e depois José Paulo de Andrade, o noticiário marcou época. Também destacaram-se nesta primeira fase da TV Bandeirantes “Ari Toledo Show”; “Leporace Show”, com Vicente Leporace; “Cláudia Querida”, com a cantora; “I Love Lúcio”, espetáculo de música e humor comandado por Lúcio Mauro e Arlete Salles; e “Além, Muito Além do Além”, teatro de terror com Zé do Caixão.
O drama do incêndio
Na manhã do dia 16 de julho de 1969, com apenas dois anos de existência, a Bandeirantes era atingida por um grande incêndio que reduziu o moderno edifício do Morumbi a uma montanha de cinzas. Atiçado em vários pontos, não houve como controlar o fogaréu instantâneo. Juntos, milhões de dólares sumiram em forma de aparatos técnicos de última geração. Foram perdidos 30% do arquivo de filmes e muitos capítulos inéditos da novela “O Bolha”, que tiveram que ser regravados. Ninguém podia acreditar no que estava acontecendo, exatamente no dia em que o homem chegava à lua e novos tempos batizavam as comunicações no Brasil. Nas foi ali, no pátio na empresa em meio à muita fumaça e gente chorando que João Saad demonstrou sua garra levantando a cabeça de toda sua equipe. Sentindo-se desafiado pelo destino, afirmou em alto e bom som: “Vamos reconstruir, nossa fé é inabalável”. Com apenas um caminhão de externas, a emissora recomeçou os trabalhos e manteve-se no ar, registrando inclusive o avanço dramático das chamas que a consumiram. Sob o slogan A Bandeirantes não vai parar , as transmissões prosseguiram, mesmo de forma precária. “Com base apenas no conceito e no crédito, que formam o patrimônio que o fogo não destrói, recomeçamos. Renascemos das cinzas”, relembrou anos depois o empresário. A tevê renasceu mais forte e João Jorge Saad transformou sua empresa em sinônimo de pioneirismo:“Aquele incêndio atrasou a nossa vida, mas melhorou nosso negócio. Quando conseguimos novo fôlego, o equipamento que compramos era o mais moderno da televisão brasileira. E saímos na frente de todos os concorrentes até no domínio das cores”, afirmou.
A chegada das cores
Em 1972, a 12ª Festa da Uva, em Caxias do Sul, se tornou um marco na história da televisão brasileira. Depois de quase dois anos de preparativos, no dia 19 de fevereiro, o evento gaúcho foi o primeiro teste oficial da transmissão em cores, via Embratel, para todo o país . A Bandeirantes participou do pool de emissoras e além da festa, na estréia das cores no Brasil, exibiu o longa-metragem “O Cardeal”, de Otto Preminger. Mas a TV Bandeirantes foi além: era necessário repor as perdas do incêndio e graças a equipamentos Bosch comprados na Alemanha, em 1972, a Band era a primeira emissora a produzir e transmitir integralmente uma programação em cores, como anunciava o slogan: “TV Bandeirantes, a imagem colorida de São Paulo”. Em exposição nas lojas, os modernos e cobiçados televisores em cores viviam sintonizados em programas como “A Cozinha Maravilhosa de Ofélia”, “Xênia e Você” , “A Hora do Bolinha”, deixando os consumidores fascinados. No embalo da novidade, a Band escolheu um novo símbolo que pudesse valorizar o avanço tecnológico e a figura de um pavão multicolorido passou a ser usada como marca da emissora, que com a inauguração do Teatro Bandeirantes, em São Paulo , também apostava em shows e musicais com a nata da MPB.
A TV Bandeirantes vira Rede Nacional
Em dezembro de 75, para dar início à formação da Rede, João Jorge Saad compra a TV Vila Rica, transformada em TV Bandeirantes de Belo Horizonte. Depois, no Rio de Janeiro, a Bandeirantes transmite seu primeiro sinal de teste no dia 7/7/77 , às 7 da noite no canal 7. Dois meses depois, a versão fluminense da Bandeirantes entra no ar oficialmente com o nome de TV Guanabara, em Botafogo. Na estréia, o especial “Meus Caros Amigos”, de Chico Buarque, e um filme inédito na tevê: “ Lawrence da Arábia”. Durante a inauguração, João Saad, ressaltou a importância do jornalismo, até hoje uma das marcas do Grupo Bandeirantes:“ Nosso jornalismo é limpo. Ele deve representar os anseios da nossa comunidade. É na opinião pública que vamos buscar nossa força.” Nessa época, outras 12 pequenas estações espalhadas pelo Brasil compunham a Rede que crescia. Em 1980, já eram 24 emissoras espalhadas pelo País. Mas o crescimento da cobertura nacional não ocorreu facilmente: a Embratel só possuía dois canais para os Estados com menor densidade populacional e que já estavam ocupados por Tupi e Globo. Isso foi um obstáculo dramático na expansão da Rede. A Band foi buscar na Intelsat, com o apoio da Embratel, tecnologia e know-how para operar por satélite 24 horas por dia. Com isso, em 1982, a Bandeirantes foi a primeira empresa comercial nas Américas a operar uma Rede de Televisão por satélite.
Grandes transformações ocorreram entre as décadas de 70 e 80. Carlos Alberto de Nóbrega recriou a “Praça da Alegria” (nos moldes do programa do pai Manoel da Nóbrega) como “Praça Brasil”. A Bandeirantes tinha em sua grade nomes como Hebe Camargo ( 79 a 81 / 82 a 86), Chacrinha ( 78 a 82) , Bolinha (Edson Curi), Flávio Cavalcanti apresentando o Boa Noite Brasil (82), Jota Silvestre (83) e Moacir Franco. Também exibia programas infantis como “TV Tutti Frutti”, “TV Criança”, “Fofão” e “ZYB-BOM”. No jornalismo, o Canal Livre que estreou em 1980, ousou abrindo espaço para artistas, políticos, intelectuais e escritores numa época em que a palavra liberdade não era usada em toda sua plenitude. Marília Gabriela também fez sucesso com as entrevistas do Cara a Cara (89). Surgiram ainda diversas atrações como Perdidos na Noite (86) e Safenados e Safadinhos (87) , ambos apresentados por Fausto Silva, a Praça é Nossa e Bronco, com Ronald Golias. Faziam parte da grade também, Flash, com o colunismo eletrônico de Amaury Jr (86) e “Silvia Poppovic”, que debatia ao vivo temas variados e polêmicos com a participação do auditório.
O Canal do Esporte
A Band começou a investir mais no segmento esportivo a partir de 1983, com a estréia do “Show do Esporte”. A maratona de transmissão de competições aos domingos fez enorme sucesso, e logo a emissora se consagrava como o Canal do Esporte. A Band abriu espaço para os mais variados gêneros esportivos; da sinuca ao automobilismo. A Rede Bandeirantes foi a primeira a transmitir a Fórmula Indy, foi pioneira na exibição do basquete americano da NBA, e mostrou pela primeira vez aos telespectadores brasileiros os campeonatos de futebol italiano e espanhol. Incentivou a prática do basquete na fase de ouro de Paula e Hortência e contribuiu decisivamente para a popularização do vôlei. O “Show do Esporte” permaneceu no ar durante 20 anos com um time de profissionais de primeiro escalão como Luciano do Valle, Silvio Luiz, Álvaro José, entre outros. A tradição esportiva da Band começou em 1970, quando a emissora participou do pool que transmitiu a Copa do México, a primeira acompanhada ao vivo por todo o país. A Band também foi a primeira a convidar atletas para participar de suas coberturas esportivas. Na Copa de 86, no México, contou com os comentários de Pelé, Rivelino e Clodoaldo. Em 1990 na Itália, participaram Rivelino, Zico e Mário Sérgio. Em 94, nos Estados Unidos, integraram a equipe Gerson e Tostão. Na França, em 98, Bobô também participou da cobertura. Sempre atenta ao incentivo de diversas modalidades esportivas, a Band fez coberturas marcantes das Olimpíadas de 1984, 1988, 1992, 1996 e 2000. A emissora, que nos últimos anos mudou de foco para conquistar nova parcela de telespectadores , principalmente o público feminino, deixou de ser “ O Canal do Esporte” mas nem por isso está menos atenta aos grandes eventos esportivos. Neste ano (2004) a emissora enviará uma equipe de 50 pessoas a Atenas para fazer a melhor cobertura dos Jogos Olímpicos, com mais de 150 horas de transmissão em 19 dias.
Grupo Bandeirantes amplia atuação em plataforma multimidia em 2005
A criação do canal Terraviva, a inauguração da Rede Bandnews FM e a volta à dramaturgia estão entre as realizações que em 2005 posicionaram definitivamente o Grupo Bandeirantes de Comunicação como um provedor de conteúdo em plataforma multimidia. Os investimentos ocorreram solidamente nos segmentos de tevê por assinatura, rádio e tevê aberta.
Em março, com o apoio de parcerios importantes, o Grupo Bandeirantes colocou no ar o Terraviva, canal de agronegócios voltado para os interesses e defesa do setor. Ainda no segmento de tevê por assinatura, Bandnews e Bandsports iniciaram o fornecimento de conteúdo exclusivo para operadoras de telefonia. Também capitanearam uma inovação em Pernambuco se tornando os primeiros canais por assinatura com edições locais. Já um acordo com o UOL garantiu o acesso on line, de qualquer parte do mundo, aos noticiários do Bandnews.
Em maio, surgiu a Bandnews FM, a primeira rede de rádio só FM e só notícia presente em São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Salvador, Belo Horizonte e Curitiba. Além do formato inovador no jeito de fazer o chamado “hardnews”, a nova rede conta com colunistas diferenciados como Dora Kramer, Ricardo Boechat, José Simão e Paulo Autran. Na tevê aberta, o sucesso de Floribella , trama voltada para o público infanto-juvenil, marcou em 2005 a volta da Band à produção de novelas. A emissora também reforçou seu time com a contratação de comunicadores importantes como Raul Gil e Claudete Troiano. No Esporte, a Band mostrou com exclusividade o talento dos jogadores brasileiros nos Campeonatos Espanhol e Inglês. A “jogada” da emissora deu resultado, com índices elevados de audiência que garantiram com frequência o segundo lugar no Ibope. Outra aposta importante foi feita na Fórmula Indy, categoria onde brasileiros como Tony Kanaan, Hélio Castroneves, Felipe Giaffone e Vitor Meira concorrem sempre entre os primeiros.
Em 2005, o Grupo Bandeirantes de Comunicação também ampliou suas ligações com o Rio de Janeiro firmando parcerias estratégicas com o Grupo Fluminense de Comunicação ( Bandnews FM ) e com o Grupo Ariane de Carvalho ( MPB FM ).
Acreditando sempre na diversidade da informação o Grupo Bandeirantes enfatiza seus investimentos em jornalismo, uma das marcas fundamentais da empresa que completa 70 anos em 2007.
Veja também:
- As produções em teledramaturgia da Band
|