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Domingo, 11 de outubro de 2009 - 08h00      

Ex-aluna de ganhadora do Nobel de Medicina comenta pesquisa

Arquivo pessoal Zoom A bioquímica Maria Isabel Canos estuda a leishmaniose

A bioquímica Maria Isabel Canos estuda a leishmaniose

Graziela Sirtoli

mundo@eband.com.br

A descoberta que contemplou o trio de pesquisadores Carol Greider, Jack W. Szostak e Elizabeth Blackburn com o Prêmio Nobel de Medicina este ano tem influenciado pesquisas ao redor de todo o mundo. A afirmação é da bioquímica Maria Isabel Canos, de 47 anos.

Aluna de Elizabeth entre 1997 e 2000 durante um pós-doutorado na Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, Maria Isabel elogia o trabalho da australiana que, ao lado de dois americanos, estudou a telomerasa, uma enzima que protege os cromossomos contra o envelhecimento.

“Além de ela ser uma ótima professora, suas descobertas ajudam pesquisas de todo o mundo. Ela é acessível e ajuda a disseminar conhecimento e ampliar descobertas. Prova disso são as diversas linhas de pesquisas sobre telômeros. Uns estudam o câncer, outros o envelhecimento humano, outros a anemia e assim por diante”, explica Maria Isabel em entrevista ao eBand.

No caso da brasileira, os estudos são dedicados à erradicação da leishmaniose. “Eu propus à Elizabeth que tentássemos descobrir a telomerase de protozoários patogênicos. Por meio dessa pesquisa é possível desenvolver terapias que bloqueiem a reprodução destes parasitas”, diz Isabel.

Os resultados positivos do estudo renderam um dois artigos científicos publicados em parceria com a Nobel de Medicina.

Em 2000, de volta ao Brasil, Isabel continuou suas pesquisas na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), buscando métodos eficazes para prevenção e criação de drogas menos tóxicas contra a leishmaniose.

“As que estão no mercado acabam causando mais danos ao infectado do que erradicando a doença. Nosso objetivo é atacar apenas os telômeros das leishmania e não os dos pacientes. Assim conseguiremos fazer com que o parasita morra rapidamente ou apenas pare de se proliferar”.

A leishmaniose é uma doença infecciosa transmitida pela picada de um inseto e que se manifesta de diferentes formas clínicas, tendo como principal hospedeiro o cachorro.

Apontada pela OMS (Organização Mundial da Saúde) como uma das principais zoonoses mundiais, a doença é um problema de saúde pública em 88 países, com registro anual de 1,5 milhões de casos pelo mundo.

     

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