Quarta-feira, 20 de janeiro de 2010 - 10h20
Grupos de direitos humanos criticam presidente eleito no Chile
Da Ansa
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O Agrupamento de Familiares de Detidos Desaparecidos (AFDD, na sigla em espanhol) e o Agrupamento Nacional de Ex-Presos Políticos do Chile expressaram desgosto pela eleição do direitista Sebastián Piñera como próximo presidente do país.
Empresário e um dos homens mais ricos da nação sul-americana, com uma fortuna avaliada em US$ 1,2 bilhão, o futuro mandatário tomará posse no dia 11 de março colocando fim a 20 anos de governos consecutivos da aliança de centro-esquerda Concertación - no poder desde a queda da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990).
No último domingo, Piñera obteve 51,6% dos votos no segundo turno das eleições presidenciais chilenas, derrotando assim o esquerdista Eduardo Frei. O candidato governista, que já ocupou a chefia do Executivo entre 1994 e 2000, angariou 48,3% das preferências.
Em uma declaração pública divulgada na terça-feira, a AFDD afirmou que "o multimilionário empresário representa a direita mais recalcitrante e golpista da América Latina".
O organismo acusou Piñera de "travestismo político" por ter "alardeado" durante sua campanha o voto "pela opção ´Não a Pinochet´", enquanto que "por outro [lado] se reúne com militares da reserva para assegurar-lhes que em seu governo" terminarão os processos judiciais por violações ocorridas durante a ditadura.
O presidente do Agrupamento Nacional de Ex-Presos Políticos do Chile, Héctor Cataldo, declarou que "a ameaça de um fortalecimento da impunidade deve ser enfrentada com uma ofensiva nacional e internacional" e que a principal tarefa da entidade durante a futura gestão de Piñera será a defesa dos direitos humanos.
A ditadura militar de Augusto Pinochet, iniciada com a deposição do então presidente Salvador Allende, foi uma das mais violentas da América Latina e deixou mais de 3 mil mortos e desaparecidos. Além disso, centenas de chilenos foram obrigados a partir para o exílio.





