PUBLICIDADE:

Sábado, 28 de novembro de 2009 - 09h00      

Pacientes são vítimas de erros médicos no Brasil até em procedimentos simples

Vanessa Teodoro

cidades@eband.com.br

Apesar dos avanços da medicina e dos recursos tecnológicos em hospitais brasileiros, a realização de procedimentos simples pode ser algo altamente perigoso se o médico for negligente, o que gera consequências graves aos pacientes e seus familiares.

 

Para se ter ideia, apenas no primeiro semestre, 47 especialistas foram citados por erros médicos no CFM (Conselho Federal de Medicina), que analisa só os pedidos de recursos. Entre janeiro de 2006 e julho de 2009, foram julgados 2.755 processos, incluindo o de anos anteriores, pelo CFM.

 

O órgão por meio de sua assessoria, disse, contudo, que não sabe os números exatos de médicos punidos e qual o tipo de repreensão que cada um teria recebido.

 

Para a advogada Célia Destri, fundadora da Avermes (Associação das Vítimas de Erros Médicos), um dos fatores que contribuem para que os especialistas cometam erros durante os atendimentos é a falta de qualidade dos cursos na área da saúde.

 

Casos recentes

 

No Distrito Federal, por exemplo, uma menina de sete anos teve os dois ouvidos operados no Hospital Regional de Santa Maria, em Brasília, no mês de outubro. A garota, no entanto, precisava de intervenção cirúrgica apenas em um ouvido, pois o outro era saudável. O médico, que admitiu não ter lido o prontuário de atendimento, foi demitido.

 

Em agosto deste ano, uma recém-nascida foi encontrada viva pelo pai no necrotério de um hospital em Itumbiara (GO). O bebê nasceu de cinco meses e foi dado como morto pelos médicos. A criança ficou internada, mas acabou morrendo dias depois.

 

Há duas semanas foi divulgado o caso de uma mulher que perdeu a chance de receber um rim porque o hospital do Rio de Janeiro transplantou o órgão para outra mulher, como nome parecido, que não necessitava da intervenção.

 

Maria das Graças de Jesus, de 61 anos, permanece na fila há um ano e oito meses. A outra paciente chamava-se Maria das Graças de Jesus de Araújo e não resistiu ao procedimento e morreu dois meses após a operação.

 

A vítima entrou com uma ação na Justiça por perdas e danos e uma sindicância da Secretaria de Saúde do Estado do Rio responsabilizou a central de transplantes e os hospitais de Bonsucesso e Fundão pela troca da paciente.

 

Esses são apenas alguns exemplos, pois existem vítimas que não tornam público o acontecimento ou não correm atrás dos seus direitos.

 

"A única coisa que eu peço, mesmo sem a perspectiva de vencer, é que os parentes entrem na Justiça e lutem contra este desmanto que está acontecendo em todo o país. Vale pelo menos tentar", ressalta Destri, que também foi vítima de um erro médico em 1990 e teve retirado um rim ao passar por uma cirurgia ginecológica.

     

ENVIE PARA UM AMIGO

Compartilhe:

PUBLICIDADE
OFERTAS