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Quinta-feira, 29 de outubro de 2009 - 07h21      

Oceanos podem ter nascido de asteróides gelados vindos do espaço

Nasa Zoom Terra pode ter recebido asteróides com água em sua formação

Terra pode ter recebido asteróides com água em sua formação

Da redação, com AFP

tecnologia@eband.com.br

Asteróides cobertos de gelo que caíram na Terra há uma centena de milhões de anos podem ter trazido a água de nossos oceanos. Essa é a versão do geoquímico francês Francis Albarède do Laboratório de Ciências da Terra (CNRS/ENS/Universidade Claude Bernard), que publicou artigo com a tese nesta quarta-feira (28) na revista científica britânica Nature.

No estudo, o cientista contesta a ideia comumente admitida de que o oceano e a atmosfera teriam se formado a partir de gases vulcânicos. "A Lua e a Terra eram essencialmente secas logo após a formação do satélite, em seguida a um impacto gigante sobre a Prototerra" (primeiro estágio geológico da Terra). A água só teria chegado mais tarde, de acordo com Albarède na publicação.

Levando-se em conta cálculos recentes, as temperaturas seriam muito elevadas entre o Sol e a órbita de Júpiter para que elementos voláteis como o vapor d´água pudessem se condensar em "embriões planetários". A chegada do líquido à Terra corresponderia a um período situado entre 80 e 130 milhões de anos após a formação do sistema solar. 

Após o encontro de planetas gigantes gasosos nas trajetórias de asteróides e de outros fragmentos gelados, os objetos teriam cruzado a Terra trazendo suas reservas de água. Introduzida no manto terrestre, esta água o amoleceu, permitindo o aparecimento da "tectônica de placas, que pode ter sido crucial para que a vida emergisse", destacou Albarède.

Comparando Marte, Vênus e a Terra, o francês destaca que a presença do movimento tectônico, de oceanos e da vida caracterizam a Terra. Em um momento no qual a busca de planetas longínquos se desenvolve, é preciso indagar por quê os três planetas internos de nosso sistema solar são tão diferentes. "A última década viu mudanças conceituais importantes na compreensão da história precoce dos planetas rochosos; agora, muitas surpresas poderão nos esperar", concluiu Albarède.

     

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