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Atualizado em sexta-feira, 26 de agosto de 2011 - 23h16

Obama: "Yes, we can" ou "No, we can't"?

Após dois anos e meio de governo, presidente frustra as expectativas do eleitorado, mas tentará a reeleição
Índice de aprovação de Obama gira em torno de 40% / Jim Watson/ AFP Índice de aprovação de Obama gira em torno de 40% Jim Watson/ AFP

É difícil esquecer o slogan que marcou a corrida presidencial de Barack Obama em 2008. “Yes, we can” ficou gravado não só na memória dos americanos, mas também na de milhares de pessoas que acompanharam a campanha do atual presidente dos Estados Unidos.

A frase, que traz uma mensagem de esperança e expectativa de mudança, entretanto, parece ter ficado guardada no passado. Atualmente, com índices de aprovação que giram em torno dos 40%, o sentimento geral no país parece ser o de frustração, explica Maurício Santoro, doutor em ciência política pelo IUPERJ (Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro) e professor da FGV (Fundação Getúlio Vargas).

“Se nós olharmos o que foram as grandes promessas de campanha dele, as únicas que ele tem conseguido cumprir são as retiradas das duas guerras impopulares e longas que os EUA estão travando, a do Iraque e a do Afeganistão, sendo que nesses dois casos os americanos vão deixar os países extremamente fragilizados e instáveis”, explica.

A retirada das tropas desses países, no entanto, aconteceu muito mais por ser uma estratégia para a política interna do que por ter cumprido os objetivos que o governo almejava. O corte de custos nas contas públicas e a falta de apoio da população às guerras foram elementos centrais para a saída.


Economia

Para reverter o mau cenário eleitoral em que se encontra, Obama deverá concentrar seus esforços para realizar mudanças econômicas. Para Santoro, nessa área a frustração em relação às expectativas criadas pelo presidente é ainda maior.

“O mais importante para ele é a questão da economia. Sem dúvida, se ele conseguir fazer com que a economia volte a gerar empregos, seria já meio caminho andado”.

A recente crise da dívida americana também colocou Obama em uma situação desfavorável. A polarização entre democratas e republicanos no Congresso e a lentidão para resolução do problema também impactaram na popularidade do presidente.

“A vitória dele causou uma oposição muito conservadora dentro do partido republicano, que está cristalizada em torno do Tea Party. Esse é um elemento que, apesar de minoritário, tem sido forte o suficiente para inviabilizar uma série de medidas que Obama vinha tentando fazer”, explica Santoro.

Eleições

Apesar da maré negativa do presidente, a reeleição ainda é possível, desde que Obama consiga reverter a situação em áreas específicas, como, por exemplo, a reforma da saúde pública.

“Se ele conseguir que a reforma seja implementada e que os americanos sintam que ela está sendo benéfica, seria também uma vitória importante pra ele, ajudaria na campanha de reeleição”, ressalta Santoro.

A radicalização cada vez maior do Tea Party, a ala de extrema direita dentro do partido republicano, também assusta a população e beneficia Obama.

“Há medo nos EUA pelo que o Tea Party representa. A população americana é conservadora, mas não é muito dada a extremismos ideológicos. Eles estão presentes, mas não são suficientes para eleger um presidente”, conta o especialista.

Dentro do partido democrata, Obama continua sendo a única opção e, no partido republicano, a escolha do candidato que concorrerá com Obama é uma disputa política ainda em curso.

“A tendência é que Obama seja reeleito. Embora o governo dele seja uma frustração diante das expectativas que ele criou, as alternativas são piores”, finaliza Santoro.

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