Agro brasileiro leva propostas climáticas para a COP31
A COP31, conferência climática da ONU que reúne lideranças mundiais na Turquia de 9 a 20 de novembro, conta com propostas estratégicas do agronegócio

A COP31, conferência climática da ONU que reúne lideranças mundiais na Turquia de 9 a 20 de novembro, conta com propostas estratégicas do agronegócio brasileiro para transformar metas ambientais em práticas no campo. O posicionamento oficial é liderado pela CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), que apresenta um plano de ação estruturado para defender a competitividade do produtor rural nas negociações internacionais.
Continua depois da publicidade
O avanço das mudanças climáticas afeta a rotina produtiva e pressiona o abastecimento global de alimentos. O impacto de fenômenos extremos como o El Niño — caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico — intensifica períodos de seca no Norte e no Nordeste, enquanto provoca tempestades e enchentes no Sul e no Sudeste. Diante desse cenário, o setor produtivo busca soluções de mitigação para reduzir danos e manter o ritmo de colheitas e geração de bioenergia.
A contribuição brasileira concentra foco nos desdobramentos do Acordo de Paris, tratado firmado em 2015 no qual as nações signatárias assumiram o compromisso de limitar o aquecimento médio do planeta abaixo de 2°C em comparação aos níveis pré-industriais. A pauta inclui o cumprimento das chamadas NDCs (metas individuais de redução de gases de efeito estufa) e o acesso efetivo ao financiamento climático internacional.
Entenda os 8 eixos do documento do setor para o clima:
Para assegurar representatividade aos produtores, a CNA reuniu as reivindicações do campo em oito frentes estratégicas de negociação:
Continua depois da publicidade
- Agenda de ação e mapas do caminho: reconhecer e valorizar práticas conservacionistas já adotadas pelos produtores rurais.
- Agricultura e segurança alimentar: garantir voz e participação direta do agro nas mesas diplomáticas internacionais.
- Balanço global: estabelecer critérios científicos para medir com precisão as emissões reais da agropecuária tropical.
- Financiamento climático: simplificar normas e garantir que recursos internacionais alcancem a base da produção no campo.
- Adaptação: estruturar programas técnicos e financeiros para preparar as lavouras diante da instabilidade climática severa.
- Transição justa: evidenciar a relevância socioeconômica da atividade rural na manutenção de postos de trabalho e distribuição de renda.
- Comércio e clima: impedir que requisitos ambientais sirvam de pretexto para barreiras unilaterais de mercado.
- Mitigação: compensar e remunerar financeiramente quem preserva vegetação nativa e reduz emissões na propriedade.
Alerta contra barreiras comerciais
Um dos principais pontos de atenção apresentados pela bancada agropecuária é a atuação dos negociadores oficiais brasileiros na cúpula da Turquia. A orientação visa a barrar resoluções multilaterais que utilizem critérios ecológicos como artifício para impor barreiras não tarifárias e protecionismo contra as exportações nacionais.
A entidade defende que as negociações considerem as particularidades e os ganhos sustentáveis da agricultura tropical, assegurando a competitividade dos produtos nacionais e mantendo abertos os canais de compra no mercado internacional.
