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Agropecuária mantém estabilidade nas emissões pelo segundo ano consecutivo

Setor atinge 626,3 milhões de toneladas de gases estufa; recuo na pecuária compensa avanço de lavouras e fertilizantes

4 min

21/10/2026 15:17 • Atualizado há 5 horas

Agropecuária mantém estabilidade nas emissões pelo segundo ano consecutivo

Ronaldo Rosa/Embrapa

As emissões da agropecuária brasileira ficam estáveis em 2025 ao somar 626,3 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente. O total repete praticamente o registrado no ciclo anterior, quando o segmento computou 626,7 milhões de toneladas, segundo dados divulgados pelo setor. A variação negativa de 0,07% representa a menor oscilação anual do indicador desde 1970.

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O equilíbrio nas contas ambientais do campo resulta de dois movimentos divergentes entre a produção de carnes e as lavouras. Enquanto a atividade pecuária recua 1,68% nas emissões e passa para 494,1 milhões de toneladas, as lavouras agrícolas sobem 6,45%, alcançando 132,1 milhões de toneladas.

Mesmo com retração, a criação de bovinos de corte permanece na liderança do inventário com 410,7 milhões de toneladas de gases lançados na atmosfera, correspondendo a 65,6% do total apurado na agropecuária nacional. Em segundo lugar figura a pecuária leiteira, que responde por 48,6 milhões de toneladas.

Somadas, as atividades de corte e leite concentram 73,3% das emissões do setor agropecuário. Ambas tiveram quedas no volume de poluentes gerados, calculadas em 1,7% e 2,9%, respectivamente.

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Na ponta oposta figuram os fertilizantes sintéticos nitrogenados, com 33 milhões de toneladas, e o calcário agrícola, com 29,2 milhões de toneladas. Esses dois insumos juntos perfazem 9,9% da matriz poluente da produção no campo, ao passo que as outras fontes completam os 16,7% restantes.

Pecuária reduz pegada com abate recorde

O recuo nos índices da pecuária liga-se diretamente à queda na chamada fermentação entérica, termo técnico que define o processo digestivo no qual o gado libera gás metano na atmosfera. Em 2025, essa fonte de emissão atinge 396,8 milhões de toneladas, um recuo de 1,8% perante os 404,1 milhões medidos no levantamento anterior.

Historicamente, o processo digestivo dos bovinos lidera a geração de gases poluentes da atividade criatória. A desaceleração decorre do recorde histórico no abate de bovinos e na produção de carcaças nos frigoríficos brasileiros.

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Os abatedouros processaram 42,94 milhões de cabeças no período, alta de 8,2%. Já o volume de carcaças alcançou 11,1 milhões de toneladas, avanço de 7,2% em comparação com o exercício precedente.

Com o ritmo intenso de abates pelo segundo ano seguido, o rebanho bovino nacional diminui 1,7% e recua para 234,2 milhões de cabeças. O número de fêmeas ordenhadas no segmento leiteiro também cai 2,7%, somando 14,7 milhões de vacas no território nacional.

Apesar do rebanho menor no campo, a eficiência produtiva assegura ganho na captação de leite cru. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção cresce 2,7% e estabelece recorde ao atingir 36,7 bilhões de litros.

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Agricultura avança em solos manejados

No segmento agrícola, a alta nas emissões tem como principal vetor o subsetor de solos manejados, cuja taxa consolida 188,6 milhões de toneladas. O número marca avanço de 3% diante das 183,2 milhões apuradas anteriormente e atinge o ápice histórico da atividade.

Essa categoria agrupa a gestão dos solos aráveis, o uso intensivo de adubos sintéticos nitrogenados, a correção com calcário, o manejo de dejetos de animais e a decomposição de palhadas e resíduos vegetais. O salto acompanha a colheita histórica de grãos no País.

A produção de cereais, leguminosas e oleaginosas alcança 345,4 milhões de toneladas, um salto de 18,2% em relação a 2024. No mesmo intervalo, a área plantada nacional expande-se em 4,1 milhões de hectares, atingindo 101,3 milhões de hectares agricultáveis.

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Também registram elevação as emissões decorrentes do manejo de dejetos animais, com 29,4 milhões de toneladas (alta de 0,7%), e as lavouras irrigadas de arroz, que sobem 13% e acumulam 11,2 milhões de toneladas. No caminho inverso, a queima de resíduos da colheita de cana-de-açúcar totaliza 0,3 milhão de toneladas, tombo de 30,3% e maior contração apurada em 2025.

O coordenador de Ciência do Clima no Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora), Gabriel Quintana, avalia que o avanço nas lavouras equilibrou a retração vista na pecuária.

"O setor agropecuário tem margem para continuar ampliando a produção com redução de emissões. Esse avanço pode ser alavancado pela expansão de tecnologias e boas práticas de manejo, para a produção animal e agrícola, contribuindo para a maior produtividade do setor. É uma oportunidade de conciliar aumento de produção com mitigação das emissões", destaca o especialista.

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