Brasil perde competitividade e ameaça o avanço do agronegócio no mundo
Ex-ministro alerta para queda do país no ranking do Fraser Institute e cobra menos impostos e burocracias

Wenderson Araujo/Trilux
O Brasil pode perder liberdade econômica no agronegócio mundial após a divulgação do relatório do Fraser Instituto 2025. O ex-ministro da agricultura e comentarista de agronegócios da BandNews TV, Antônio Cabrera, alerta que a queda representa uma desvantagem para o setor diante dos concorrentes globais diretos.
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No ranking internacional, o Brasil figura na 85ª colocação, desempenho expressivamente inferior ao de nações parceiras e competidoras no comércio exterior. O ex-ministro apontou que o resultado fragiliza o posicionamento estratégico do país, embora a produção interna mantenha índices elevados no abastecimento global de alimentos.
Para Cabrera, o conceito de liberdade econômica resume-se a diretrizes práticas para a atividade produtiva: redução de burocracia, corte de impostos e simplificação regulatória. Em sua avaliação, esses três pilares determinam a agilidade operacional do setor nas disputas de mercado.
Posição do Brasil frente a competidores globais
Ao detalhar os índices do relatório, o ex-ministro listou posições ocupadas por grandes fornecedores de commodities agrícolas. Nova Zelândia e Estados Unidos aparecem nas primeiras colocações, em 4º e 5º lugares, respectivamente. A Austrália alcança a 8ª posição, enquanto o Canadá surge em 18º.
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Cabrera ressaltou que a disparidade não ocorre apenas em relação às economias mais ricas do hemisfério norte. Nações vizinhas na América do Sul e mercados emergentes também superam a classificação brasileira, como o Chile, no 20º posto, e o Peru, em 45º lugar.
A Tailândia, outro ator relevante no comércio agropecuário, ocupa a 57ª colocação. A distância de quase 30 posições em relação a economias em desenvolvimento reforça o alerta sobre o ambiente institucional enfrentado pelas empresas e cooperativas rurais instaladas no território brasileiro.
Disputa acirrada em grãos, carnes e café
O impacto direto dessa diferença recai sobre cadeias produtivas em que o Brasil disputa cotas expressivas de exportação. A lista de produtos sob forte concorrência abrange os embarques de soja, milho, carnes, frutas e café.
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Segundo o ex-ministro, os produtores rurais de países concorrentes operam respaldados por normas comerciais mais transparentes e sistemas tributários menos onerosos. Essa assimetria encarece a logística e as operações financeiras no mercado doméstico.
Apesar dos entraves criados por tributos elevados, excesso de burocracia e insegurança jurídica, Cabrera pontuou que o campo brasileiro sustenta avanços técnicos consideráveis. O setor avança em produtividade por hectare e mantém liderança consolidada em diversos segmentos internacionais.
Desafios estruturais fora da porteira
A capacidade de expansão do agronegócio, contudo, encontra limites estruturais fora das propriedades rurais. O produtor cumpre seu papel produtivo ao adotar manejo moderno, incorporar inovações tecnológicas e expandir áreas de cultivo com foco em sustentabilidade.
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Na visão de Cabrera, o país necessita de reformas que destravem o ambiente de negócios para além dos limites das fazendas. A redução das exigências cartoriais e das incertezas fiscais é apontada como a medida necessária para acompanhar o ritmo de concorrentes estrangeiros no cenário do comércio global.
