Brasil pode suprir 40% da nova cota de carne bovina dos EUA
Frigoríficos nacionais miram envio de 120 mil toneladas aos EUA para suprir demanda de hambúrgueres

A ampliação da cota de importação de carne bovina pelos Estados Unidos abre uma janela comercial vantajosa para os frigoríficos brasileiros, que têm capacidade de atender a até 40% do volume adicional. A medida tarifária autoriza o ingresso extraordinário de até 300 mil toneladas do produto por um período de 90 dias. A iniciativa busca conter a escalada de preços ao consumidor final no mercado norte-americano, em vigor desde o fim de agosto.
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A determinação, anunciada pelo presidente Donald Trump, tem como foco os cortes magros voltados à produção de carne moída, ingrediente básico para a indústria de hambúrgueres dos Estados Unidos.
O setor pecuário norte-americano enfrenta um ciclo de redução do rebanho de gado bovino, o que derrubou a oferta interna da proteína e encareceu os custos das indústrias de processamento.
Vantagem competitiva da pecuária brasileira
A nova regra de importação não contempla concorrentes internacionais tradicionais que já operam com limites próprios negociados em tratados bilaterais, como Argentina, Uruguai, Austrália e Nova Zelândia.
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Sem a presença desses países na cota extra, o Brasil desponta como o principal fornecedor com condições imediatas de embarque. Concorrentes regionais restantes, a exemplo do Paraguai e de nações da América Central, não possuem a mesma escala de abate e distribuição.
A estimativa do setor produtivo aponta que os frigoríficos brasileiros podem fornecer entre 90 mil e 120 mil toneladas aos importadores americanos durante a vigência da tarifa reduzida.
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) informou que o parque fabril brasileiro reúne capacidade técnica para atender à demanda de imediato, aguardando apenas o encerramento dos trâmites diplomáticos entre as nações.
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Complementaridade comercial com a China
Apesar da abertura proporcionada pelos Estados Unidos, a Abiec destaca que o volume norte-americano não substitui o mercado da China, hoje o principal destino das vendas externas do setor.
Os dois compradores atuam com perfis de consumo complementares. Enquanto os chineses demandam cortes da parte dianteira do boi e peças específicas, os importadores dos Estados Unidos compram a carne industrial como matéria-prima de blends para redes de alimentação rápida.
A entidade pecuária avalia que o aumento das vendas para Washington reforça a política de diversificação de destinos, garantindo maior estabilidade de preços aos criadores e frigoríficos do país.
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União Europeia avalia auditoria de aves e mel
O cenário de comércio exterior em Brasília também apresenta expectativas positivas nas negociações com a União Europeia, voltadas para as cadeias produtivas de mel e carne de frango.
Auditores do bloco europeu encerraram recentemente uma inspeção sanitária no Brasil com parecer favorável aos procedimentos de fiscalização adotados pelos órgãos de defesa agropecuária.
O foco da avaliação técnica internacional foi a fiscalização e o controle do uso de substâncias antimicrobianas na produção animal, tema que havia motivado a aplicação de restrições por Bruxelas em 3 de setembro.
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A validação da auditoria ainda não libera as vendas de forma automática. O colegiado europeu analisará os documentos técnicos nos próximos dias para reinserir o país na listagem de exportadores habilitados, com previsão de retomada das operações comerciais em até dois meses.
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