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Cacau no Cerrado: produtora inova com agrofloresta e chocolates finos

O cultivo de cacau no Cerrado ganha espaço a 30 quilômetros do centro de Brasília, onde uma produtora rural mantém mais de mil árvores e fabrica chocolates

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15/09/2026 08:47 • Atualizado há 27 min

Cacau no Cerrado: produtora inova com agrofloresta e chocolates finos

O cultivo de cacau no Cerrado ganha espaço a 30 quilômetros do centro de Brasília, onde uma produtora rural mantém mais de mil árvores e fabrica chocolates artesanais na própria fazenda. Marlene, que investiu na cultura há seis anos após se aposentar, supera a aridez típica do clima da região por meio de um sistema integrado para atender o mercado da capital federal e valorizar a flora nativa.

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A propriedade, cercada por condomínios residenciais, conta com cinco variedades da planta. O plantio no Centro-Oeste representa uma quebra de paradigma em relação às regiões tradicionais de cultivo, como o sul da Bahia e o Pará, marcadas por índices elevados de umidade e calor constante.

Para contornar o clima seco do bioma, a agricultora adota o sistema agroflorestal. Esse método consorcia os cacaueiros com outras espécies vegetais, recriando a umidade natural da mata, protegendo o solo contra o sol direto e favorecendo a polinização. Da floração até a colheita, o ciclo de desenvolvimento leva cerca de seis meses.

As amêndoas colhidas no sítio viram matéria-prima para a linha de chocolates finos, cuja fabricação ocorre dentro da propriedade. O processamento inclui a secagem das sementes por dez dias em esteiras, torra com controle térmico, descasque e moagem em moinho de pedra, etapa que dura até 70 horas antes da elaboração final.

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A produção busca destacar as riquezas locais ao incorporar insumos característicos da região. As formulações incluem plantas alimentícias não convencionais (PANCs), além de frutos do Cerrado como baru e murici.

"A gente tem receita com PANCs, que são plantas não convencionais alimentícias, e o próprio baru", afirma Marlene. A marca artesanal já desenvolveu cerca de 150 receitas exclusivas a partir do fruto plantado na capital.

A distribuição dos produtos ocorre pela internet, em feiras temáticas e em lojas especializadas em produtos de origem, além de quiosques em centros comerciais de Brasília. O contato direto com quem consome reforça a transparência sobre os métodos agrícolas.

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Consumidores da capital destacam a identidade do produto local. É o caso de Solange, moradora da cidade, que provou e elogiou o "cacau candango". Para os parceiros comerciais da iniciativa, a leitura detalhada dos rótulos é essencial para que a sociedade compreenda o valor do trabalho do pequeno produtor.

O Brasil ocupa o posto de sexto maior produtor mundial de cacau, com colheita anual próxima de 300 mil toneladas. O Pará lidera o ranking do setor, com volume anual entre 154 mil e 160 mil toneladas, seguido pela Bahia, responsável por cerca de 140 mil toneladas. Juntos, os dois Estados concentram mais de 90% da colheita do país.

Segundo Eunice Gutzeit, vice-presidente da Associação Nacional dos Produtores de Cacau (ANPC), o rendimento das lavouras brasileiras está em expansão. O Pará deve ultrapassar 158 mil toneladas na safra atual, superando as 154 mil do ciclo anterior, em um cenário em que a produtividade média no país pode registrar avanço de até 9%.

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Apesar dos números positivos no campo, a rentabilidade dos produtores sofre com a forte concentração do mercado comprador. Eunice pontua que apenas três companhias globais adquirem as amêndoas e quatro indústrias dominam a transformação de chocolate no mundo, o que gera distorções na remuneração paga aos agricultores.

A ANPC sustenta que o Brasil já atingiu a autossuficiência e não necessita importar cacau de países africanos. A entidade reivindica o retorno das estimativas oficiais de safra por parte do governo federal, ferramenta considerada fundamental para dimensionar estoques reais e evitar importações prejudiciais aos cacauicultores brasileiros.

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