Carne bovina do Paraná busca novos mercados após restrições comerciais
FAEP defende carnes de maior valor agregado diante das restrições impostas pela China e União Europeia.

Reprodução/Agro+
As restrições comerciais enfrentadas pela carne bovina brasileira na China e na União Europeia estão levando representantes do agronegócio paranaense a buscar alternativas para ampliar as exportações. Entre as oportunidades estão novos compradores na Ásia e a produção de carnes diferenciadas, com maior valor agregado.
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O cenário foi debatido nesta quarta-feira (14), durante reunião da Comissão Técnica de Bovinocultura de Corte do Sistema FAEP, com a participação de produtores rurais e do especialista da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Rafael Lima Filho.
A discussão ocorre em um momento de mudanças no comércio internacional. A China atingiu a cota de importação de carne bovina brasileira estabelecida para 2026, enquanto a União Europeia adotou restrições sanitárias relacionadas ao uso de antimicrobianos na produção animal.
China reduz compras de carne bovina brasileira
A China, principal destino da carne bovina brasileira, reduziu significativamente suas compras após o esgotamento da cota de 1,106 milhão de toneladas estabelecida para 2026.
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Desde 1º de outubro, os volumes que ultrapassam esse limite estão sujeitos a uma tarifa adicional de 55%, elevando a cobrança total para 67%.
A medida não proíbe as exportações, mas encarece a carne brasileira no mercado chinês.
Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), os embarques para a China caíram 93,2% em setembro, na comparação com o mesmo mês de 2025.
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Para 2027, a cota será de 1,128 milhão de toneladas. O setor frigorífico avalia antecipar embarques ainda neste ano para que os produtos cheguem ao mercado chinês a partir de janeiro, quando começa a vigorar o novo limite.
Exportações brasileiras de carne bovina faturam US$ 14,17 bilhões
Apesar das dificuldades enfrentadas em alguns mercados, o faturamento das exportações brasileiras de carne bovina cresceu em 2026.
De acordo com a Abiec, entre janeiro e setembro, o Brasil exportou 2,43 milhões de toneladas de carne bovina, considerando diferentes categorias do produto, como carne in natura, industrializados e miúdos.
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O volume representa uma redução de 0,5% em relação ao mesmo período de 2025.
Já a receita alcançou US$ 14,17 bilhões, crescimento de 14,1% na comparação anual.
Com a queda das compras chinesas, os Estados Unidos se tornaram o principal destino da carne bovina brasileira em setembro, recebendo 48,3 mil toneladas.
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No acumulado de janeiro a setembro, as exportações para o mercado norte-americano cresceram 45% em volume.
"Apesar das restrições, o panorama é bem positivo. Afinal, não tem carne abundante no mercado", avaliou Rafael Lima Filho, da CNA.
Paraná aposta em carnes de maior qualidade para conquistar mercados
Para o Paraná, a estratégia defendida por representantes da bovinocultura de corte é investir em produtos diferenciados e ampliar a presença em mercados que valorizam a qualidade da carne.
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O presidente da Comissão Técnica de Bovinocultura de Corte da FAEP, Rodolpho Botelho, defende a habilitação de mais frigoríficos para exportação e o fortalecimento da produção de carnes de maior valor agregado.
"Um mercado mais direcionado, com carnes de alta qualidade, com valor agregado maior. Para isso, o Paraná tem que ser mais eficiente, temos que ter mais empresas aptas à exportação", afirmou.
Segundo Botelho, o Estado conta com produtores e cooperativas que oferecem carne de alta qualidade, mas ainda enfrenta o desafio de manter uma oferta regular para atender compradores internacionais.
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Entre os mercados apontados como oportunidades estão Indonésia, Filipinas e Vietnã. Japão e Coreia do Sul também foram citados como destinos com potencial para carnes de maior valor agregado.
União Europeia mantém restrições à carne bovina brasileira
Outro desafio discutido na reunião envolve as restrições sanitárias adotadas pela União Europeia a produtos brasileiros de origem animal.
As medidas começaram a ser implementadas em setembro de 2026 e estão relacionadas às exigências europeias sobre o controle do uso de antimicrobianos na produção animal.
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Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o governo brasileiro mantém negociações técnicas com as autoridades europeias para atender aos requisitos exigidos e permitir a retomada do comércio.
Em comunicado divulgado no fim de setembro, o governo informou que também busca acelerar os procedimentos necessários para a retomada das exportações de carne bovina.
Para a FAEP, a adequação às exigências sanitárias e ambientais será fundamental para ampliar a participação da carne paranaense no mercado internacional.
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Botelho também defende que o Brasil diversifique os destinos das exportações para reduzir a dependência de grandes compradores.
"É importante que o Brasil abra mais mercado, diminua o mercado chinês e não fique na dependência só da China", afirmou.
O presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, destacou a importância de acompanhar as mudanças no comércio internacional para orientar as decisões dos produtores.
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"A informação de qualidade ajuda a decidir melhor, sobretudo em um ano como este, de mudanças rápidas", afirmou.
