Agro

Confinamento em MT deve atingir 1,33 milhão de bovinos em 2026, diz Imea

Projeção do instituto aponta salto de 43% no rebanho confinado, mas pecuarista enfrenta alta na reposição e cautela com exportações para a China

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18/08/2026 15:08 • Atualizado há 68 dias

Confinamento em MT deve atingir 1,33 milhão de bovinos em 2026, diz Imea

Mato Grosso deve confinar 1,33 milhão de bovinos em 2026, um avanço de 43,41% na comparação com as 928,67 mil cabeças registradas no ano passado. Os dados fazem parte do 2° levantamento de intenções de confinamento divulgado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).

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O levantamento revela que 56,47% dos pecuaristas consultados pretendem fechar lotes para a engorda intensiva no cocho. Outros 38,82% declaram que não vão adotar o sistema de confinamento e 4,71% permanecem indecisos.

Apesar da forte expansão na comparação anual, o volume total projetado representa uma revisão de 7,71% para baixo ante a primeira estimativa publicada em abril, quando o setor previa confinar 1,44 milhão de animais.

O estudo mostra um alívio expressivo no preço dos insumos para nutrição animal. O milho registra média de R$ 44,39 por saca, uma retração de 13,86% ante a média de 2025. Houve ainda desvalorização no caroço de algodão (-24,18%), no DDG — resíduo seco da produção de etanol de milho (-15,60%) — e no farelo de soja (-2,47%).

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Mesmo com a alimentação mais barata, a diária média do confinamento em Mato Grosso sobe para R$ 13,62 por cabeça. O valor indica um aumento de 3,54% em relação a abril e de 3,57% na comparação anual. Segundo o Imea, o encarecimento ocorre pela alta nos animais de reposição, etapa em que o produtor adquire animais jovens para engordar. O preço do bezerro de 12 meses acumula alta de 13,06% em doze meses.

Esse movimento coincide com o recuo de 17,11% no abate de fêmeas em julho, o que aponta para a retenção de matrizes nas fazendas para reprodução e diminui a oferta de bezerros no mercado.

A relação de troca — indicador que mede quantos bezerros o criador consegue adquirir com a venda de um boi gordo — também piorou. Em julho, são necessários 2,16 bezerros para comprar um boi gordo, recuo de 6,09% no poder de compra do pecuarista frente a 2025.

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O custo da arroba produzida (medida de peso equivalente a 15 quilos) varia conforme a estrutura de cada propriedade. A média no estado oscila entre R$ 220,50 e R$ 235 por arroba.

As fazendas com capacidade para até 1 mil animais registram custo médio de R$ 220,50 por arroba. Já os estabelecimentos de médio porte, de 3.001 a 5 mil cabeças, apresentam o custo mais elevado, fixado em R$ 235 por arroba. Nos grandes confinamentos, acima de 5 mil cabeças, o custo médio fica em R$ 223,13 por arroba.

O valor da reposição lidera as preocupações de 23,76% dos produtores de Mato Grosso. O preço da arroba do boi gordo aparece em segundo lugar, com 19,80%, seguido por incertezas políticas (15,84%), margens de lucro reduzidas (10,89%) e o ambiente geopolítico externo (8,91%).

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As oscilações do mercado explicam a cautela. Após alcançar a marca de R$ 360,01 por arroba em abril, o preço do boi gordo recuou para R$ 312,94 e encerrou julho cotado a R$ 324,17.

O calendário do segundo semestre concentra o ritmo das entregas: 80,74% de todo o gado confinado vai para o abate até o encerramento do ano. O intervalo entre setembro e novembro reúne 48,31% desses lotes.

A concentração de oferta coincide com o esgotamento da cota de importação de carne bovina da China. O mercado projeta a retomada plena das compras do país asiático a partir do fim de outubro, já vinculadas às cotas de 2027.

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Para evitar prejuízos com eventuais quedas nas cotações, 33,33% dos pecuaristas fecharam contratos a termo com frigoríficos, negociando previamente 17,52% dos animais. Outros 30,23% optaram por ferramentas de proteção futura na bolsa brasileira B3, garantindo o preço de venda de 14,44% do rebanho projetado.

Confinamento em MT deve atingir 1,33 milhão de bovinos em 2026, diz Imea