Custo de produção nos EUA é menor que no Brasil; entenda os motivos
Isenção de impostos trabalhistas e sobre combustíveis nos Estados Unidos garante vantagens competitivas
A competitividade do agronegócio brasileiro enfrenta um grande desafio devido ao alto custo de produção arcado por quem planta no país. Uma análise detalhada do mercado dos Estados Unidos demonstra como a menor carga tributária sobre o trabalho e os insumos beneficia diretamente os produtores norte-americanos, gerando um desequilíbrio na concorrência global.
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O tema foi abordado pelo ex-ministro da Agricultura e colunista da BandNews TV, Antônio Cabrera, AgroBand desta quarta-feira (28). Da região de Illinois, no coração do cinturão do milho dos Estados Unidos, Cabrera destacou a força histórica e estrutural da agroindústria norte-americana.
A força histórica do milho e da soja nos Estados Unidos
Em sua análise, Cabrera visitou locais históricos da agricultura americana, como a região de Decatur, no estado de Illinois, conhecida como a capital mundial da soja. O ex-ministro lembrou que o país iniciou sua revolução industrial agrícola no início do século passado, com fábricas de esmagamento de grãos impulsionadas por forte apoio governamental e social.
Atualmente, os Estados Unidos esmagam em média 61% de sua safra de soja, enquanto o Brasil processa apenas 35%. Embora o Brasil tenha superado a produção norte-americana na última safra — registrando 172 milhões de toneladas contra 119 milhões dos Estados Unidos, tendo Sorriso (MT) como o maior município produtor do mundo —, o suporte estrutural ao produtor estrangeiro permanece superior.
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Diferenças drásticas nos encargos trabalhistas
Um dos pontos centrais apontados pelo colunista é o peso dos tributos sobre a folha de pagamento. Enquanto o custo patronal para um empregador no estado de Illinois gira em torno de 9%, no Brasil esse índice oscila entre 35% e 38%.
Além disso, os encargos trabalhistas brasileiros incluem obrigações como férias remuneradas, terço constitucional de férias e 13º salário, itens inexistentes no modelo norte-americano. Essa diferença resulta em um custo trabalhista de 48% a 55% mais caro para o agricultor brasileiro.
A legislação dos Estados Unidos também reconhece as especificidades dos períodos de safra e entressafra. Na prática, o produtor americano não é obrigado a pagar adicional de horas extras durante os picos de colheita com os mesmos acréscimos aplicados no Brasil, onde a remuneração extra pode variar de 50% a 100%.
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Carga tributária sobre combustíveis e apoio social
Outro fator determinante para a disparidade nos custos de produção é a tributação sobre combustíveis. No estado de Illinois, o óleo diesel é totalmente isento de impostos. No Brasil, levantamentos recentes indicam que a carga tributária sobre o insumo atinge cerca de 20%, podendo superar esse patamar dependendo da região.
Para Cabrera, todo esse cenário demonstra que o agricultor americano desfruta de custos operacionais substancialmente menores e de incentivos mais generosos por parte da sociedade. Enquanto isso, o produtor nacional lida com penalidades tributárias e despesas elevadas para manter a competitividade no mercado internacional.
