Dependência do trigo estrangeiro encarece o preço do pãozinho
Brasil ainda não consegue produzir trigo para atender sua demanda e produtores enfrentam desafios

O Brasil consome anualmente cerca de 13 milhões de toneladas de trigo, mas produz em média 6 milhões de toneladas, necessitando importar o restante para suprir a demanda interna. A informação foi apresentada durante um dia de campo promovido pela cooperativa agropecuária da região do Distrito Federal (Copadef).
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Apesar da concentração histórica da produção no Sul do país, o Centro-Oeste tem avançado no plantio do cereal com o apoio da ciência e de novas cultivares desenvolvidas pela Embrapa Cerrados para as condições do cerrado. Essas variedades são capazes de produzir entre 6 mil e 8 mil quilos por hectare.
No evento da Copadef, foram apresentadas opções como a BRS Savana, voltada para a produção de biscoitos em regime de sequeiro e irrigado, e a BRS Cracker, que possui alto potencial de produtividade. Segundo pesquisadores da Embrapa, o avanço tecnológico permitiu elevar a qualidade do trigo cultivado na região, atraindo o interesse de moinhos de outros estados, como o Paraná.
Desafios na safra atual e impactos comerciais
A safra atual, no entanto, enfrenta obstáculos climáticos e pressão de doenças. No Distrito Federal, produtores relataram uma redução de até 36% na área plantada e na produção em comparação ao ano anterior, enquanto o Rio Grande do Sul estima uma de suas menores safras desde 2020.
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De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a safra nacional deve fechar em torno de 6 milhões de toneladas, exigindo a importação de aproximadamente 7 milhões de toneladas. Tradicionalmente, a Argentina fornece a maior parte do cereal importado pelo Brasil, mas a safra argentina também registrou queda na qualidade. Diante desse cenário, o país avalia a compra de trigo de mercados como Estados Unidos, Canadá e Rússia, o que pode elevar os custos devido aos preços de mercado e despesas com fretes portuários e terrestres.
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