Embargo da UE à carne nobre gera prejuízo de US$ 119 milhões ao Brasil
Restrição pelo uso de antimicrobianos atinge a cota Hilton e pode gerar perdas de US$ 119 milhões de dólares

O embargo da União Europeia à carne nobre brasileira provoca prejuízos expressivos ao agronegócio e ameaça a receita cambial dos exportadores nacionais. A medida restritiva, motivada pelo controle sanitário sobre o uso de antimicrobianos no rebanho nacional, pode gerar perdas superiores a US$ 100 milhões (cerca de R$ 550 milhões). O principal impacto atinge a cota Hilton, mecanismo tarifário que destina cortes bovinos de alto valor ao mercado europeu.
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A restrição comercial já afeta cargas prontas para comercialização no exterior. Cerca de 2 mil toneladas de carne bovina, enviadas antes do início do bloqueio em setembro, continuam retidas em portos europeus sem autorização de entrada.
A estimativa de prejuízo total para a pecuária nacional chega a US$ 119 milhões, aproximadamente R$ 654 milhões, concentrada exclusivamente na divisão de cortes nobres. A cota Hilton reúne peças de padrão superior, pelas quais os importadores pagam valores elevados em comparação a outros destinos globais.
O correspondente da Band em Londres, Felipe Kieling, relata que o impacto financeiro tende a se estender por períodos mais longos.
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As projeções para o próximo ano preocupam a cadeia produtiva, pois o país deixará de exportar mais de 11 mil toneladas de carne destinadas a essa cota internacional. A saída temporária dos fornecedores nacionais abre espaço para competidores tradicionais do continente sul-americano.
Produtores vizinhos tentam preencher as prateleiras que antes recebiam proteína brasileira, ainda que com custos de venda mais elevados. Os países vizinhos, como Uruguai e Argentina, aproveitam o momento para disputar compradores nos principais centros europeus.
O embargo surge no momento em que as discussões diplomáticas entre União Europeia e Mercosul previam benefícios alfandegários para a proteína da América do Sul. O texto em negociação apontava para um desconto de 20% sobre a tarifa incidente na cota Hilton, o que aumentaria a competitividade dos pecuaristas brasileiros no bloco.
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Para reverter o quadro, o setor agropecuário nacional e o governo buscam comprovar garantias sanitárias oficiais. A diplomacia brasileira articula reuniões com autoridades europeias para tentar restabelecer os embarques e frear o avanço de prejuízos econômicos à pecuária de corte.
