Estados Unidos ampliam subsídios agrícolas em meio a crise no agronegócio
Pacote adicional de US$ 8 bilhões eleva ajuda federal a produtores rurais norte-americanos

Attractive blonde female walking through wheat field and holding USA waving flag.
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O governo dos Estados Unidos anunciou a liberação de US$ 8 bilhões adicionais em socorro ao setor agropecuário. A medida atende a pedidos urgentes de produtores rurais que enfrentam endividamento e quebra de safra, ampliando o volume de auxílio concedido pela Casa Branca.
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A reportagem divulgada pela revista especializada Farm Journal mostra que a atividade no país passa por momento delicado, impulsionada pela disparada nos custos operacionais e pelos preços dos combustíveis fósseis.
Com o novo anúncio, o suporte financeiro concedido por Washington ao campo atinge US$ 55 bilhões no acumulado do ano.
De acordo com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o faturamento bruto estimado para a agricultura local nesta temporada é de US$ 176 bilhões. Desse montante total, US$ 47 bilhões têm origem em transferências diretas do orçamento federal antes do aporte recente.
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Isso significa que quase 27% da renda do agricultor americano decorre exclusivamente de verbas públicas governamentais. O novo repasse eleva o peso dos cofres públicos na sustentação financeira dos produtores.
Desafios e concorrência para o produtor brasileiro
No AgroBand desta sexta-feira (23), o ex-ministro da Agricultura, Antônio Cabreira, avalia que o pacote anunciado aos produtores norte-americanos aprofunda ainda mais a desigualdade de condições comerciais entre os agricultores locais e os concorrentes do mercado internacional.
Na comparação de Cabreira, o volume acumulado de US$ 55 bilhões em benefícios equivale ao envio diário de cerca de R$ 820 milhões aos fazendeiros americanos. Segundo o ex-ministro, essa injeção contínua de recursos dificulta a competitividade dos agricultores brasileiros no comércio exterior.
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Enquanto a lavoura nos Estados Unidos conta com forte suporte estatal, os produtores rurais no Brasil lidam com taxas de juros elevadas para financiamento, gargalos no transporte da safra e um seguro rural de alcance reduzido. O seguro rural funciona como uma garantia de renda para minimizar perdas causadas por geadas, secas ou tempestades.
O analista apontou ainda contradições estratégicas nas políticas públicas de energia. O governo americano direciona subsídios e estímulos para a fabricação de biocombustíveis – como o etanol de milho e o biodiesel de soja –, garantindo demanda doméstica e preços mínimos para grãos.
O Brasil, por outro lado, mantém desonerações e subsídios bilionários a combustíveis de matriz fóssil, inclusive na importação de óleo diesel.
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Cabreira ressaltou que a reivindicação do setor nacional não é a cópia irrestrita das políticas protecionistas praticadas pelos países ricos, mas sim a garantia de segurança econômica e condições básicas de igualdade no mercado global, onde a safra brasileira disputa espaço contra o caixa do tesouro americano.
