Estudo bombástico: secas causaram US$ 3,8 trilhões em perdas agrícolas
Impacto é equivalente ao PIB do Brasil de 2022

O agronegócio enfrenta uma ameaça bilionária com as mudanças climáticas. Um estudo divulgado pela Allianz Research, divisão da Allianz Trade, líder mundial em seguro de crédito, revela o impacto devastador das secas e desastres naturais na produção de alimentos. O documento, intitulado “Feeding a warming world: Securing food and economic stability in a changing climate”, traz um alerta grave, um prejuízo de trilhões.
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De acordo com o estudo, nas últimas três décadas, os desastres naturais aniquilaram uma estimativa de US$ 3,8 trilhões em produção agrícola e pecuária. Isso representa um revés médio de US$ 123 bilhões por ano, ou aproximadamente 5% do PIB agrícola global. Para se ter uma ideia, a perda agrícola acumulada neste período é comparável a todo o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2022.
Os economistas da Allianz Research posicionam o setor agrícola no centro da crise, como a principal fonte de emissões de gases de efeito estufa e, paradoxalmente, o setor mais exposto às consequências do aquecimento global.
O destaque do Brasil: soja, desmatamento e o risco Cerrado
O relatório dedica uma atenção especial ao Brasil, não só pela escala da perda florestal, mas pela dinâmica da produção de commodities. A análise aponta um avanço crucial na produção de soja na Amazônia, com alguns destaques:
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Moratória Funciona: A partir de 2015, a produção de soja aumentou, de 100 para 120 milhões de toneladas e, no mesmo período, o desmatamento relacionado à soja diminuiu em mais da metade.
O Acordo Chave: Esse "desacoplamento" de produção e desmate é creditado à Moratória da Soja na Amazônia, que restringiu a conversão de floresta para lavoura.
Já no bioma Amazônia, os economistas alertam para o "vazamento" (spill-over) da pressão agrícola para outros biomas, especialmente o Cerrado. O Cerrado, uma savana de alta biodiversidade, está ameaçado pela conversão contínua. Segundo o estudo, modelos recentes sugerem que estender regras estilo moratória ao Cerrado poderia evitar a perda de mais de 3,6 milhões de hectares de vegetação nativa até 2050, embora, sem medidas abrangentes, o vazamento (leakage) possa apagar até metade dos ganhos."
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Peso da pecuária
O relatório ainda mostra que a expansão agrícola tem sido o principal motor da mudança no uso da terra no último século. Desde 1900, tanto terras cultiváveis quanto pastagens cresceram, mas as pastagens continuam o componente dominante. "Este fato sublinha o peso da produção de carne e laticínios na moldagem das paisagens," aponta o documento.
A expansão está diretamente ligada à alta trajetória do desmatamento, com Brasil, Canadá, Rússia e EUA entre os maiores contribuintes anuais.
