Agro

Etanol de milho demanda florestas de eucalipto em Mato Grosso

Estudo do Itaú BBA projeta que Mato Grosso precisará plantar 218 mil hectares de eucalipto para atender usinas

4 min

11/09/2026 11:49 • Atualizado há 7 horas

Etanol de milho demanda florestas de eucalipto em Mato Grosso

A rápida expansão da indústria de etanol de milho pode exigir investimentos de até R$ 14,3 bilhões no plantio de florestas energéticas em Mato Grosso nos próximos anos. O cálculo consta no relatório "O desafio da biomassa para o etanol de milho", divulgado nesta sexta-feira (11) pela Consultoria Agro do Itaú BBA.

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Para abastecer as caldeiras industriais que geram calor e vapor nas usinas, o setor utiliza biomassa — matéria orgânica vegetal renovável empregada como fonte de energia. O eucalipto cultivado é a principal alternativa para sustentar esse avanço industrial sem depender de vegetação nativa.

A capacidade nacional de produção do combustível limpo deve avançar de 10,9 bilhões de litros em 2025 para 25,3 bilhões em 2030, segundo o levantamento. Em Mato Grosso, principal polo da atividade, o volume produzido deve subir de 6,9 bilhões para 11,9 bilhões de litros no mesmo período.

Até o final de 2026, com a produção brasileira projetada em 13 bilhões de litros, o processamento demandará cerca de 35 milhões de metros cúbicos de madeira caso o eucalipto seja a fonte exclusiva. Esse consumo requer uma base florestal de aproximadamente 440 mil hectares cultivados no país.

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Em Mato Grosso, a indústria deve necessitar de 383 mil hectares de florestas plantadas até 2030. Como a área florestal atual é de aproximadamente 165 mil hectares, o estado precisará incorporar 218 mil hectares para atender à evolução do parque fabril.

A busca por árvores comerciais responde também a novas diretrizes ambientais. Historicamente, parte do combustível industrial vinha de sobras de vegetação nativa com supressão autorizada, formato que passa por restrições legais progressivas no estado.

Em junho deste ano, o governo mato-grossense e o Ministério Público fecharam um acordo para diminuir a queima de madeira nativa por grandes fábricas. O cronograma fixa limite de 40% para fontes nativas até 2034 e eliminação total a partir de 2035. Unidades novas já precisam comprovar fornecimento sustentável.

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O gerente da Consultoria Agro do Itaú BBA, Cesar de Castro Alves, afirma que a oferta florestal passou a definir a competitividade do negócio. Na avaliação do executivo, grupos que organizarem contratos de suprimento com antecedência terão menores custos e menos riscos regulatórios.

“A disponibilidade de biomassa deixa de ser apenas uma questão operacional e passa a ser um fator relevante para a viabilidade econômica e ambiental dos projetos de etanol de milho. Empresas que estruturarem com antecedência sua estratégia de suprimento energético poderão ter maior previsibilidade de custos, menor exposição a riscos regulatórios e melhores condições para capturar oportunidades associadas à agenda de sustentabilidade”, afirma Alves.

A procura por biomassa também envolve outros segmentos relevantes do agronegócio regional. Secadores de grãos, frigoríficos e armazéns gerais utilizam o mesmo material para manter suas operações industriais no Centro-Oeste.

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Além da segurança energética, a matriz plantada valoriza a sustentabilidade do combustível verde. A associação entre o cereal de segunda safra e a biomassa cultivada amplia o acesso do etanol mato-grossense a mercados que exigem baixa pegada de carbono.

A necessidade industrial abre uma alternativa relevante para a diversificação de receita nas propriedades do campo. O plantio de árvores energéticas viabiliza o aproveitamento de glebas com menor aptidão agrícola para lavouras de grãos.

Em simulações do banco, um projeto de eucalipto voltado ao fornecimento de biomassa apresenta Taxa Interna de Retorno (TIR) calculada em cerca de 17% ao ano. O Valor Presente Líquido (VPL) estimado alcança R$ 4,3 mil por hectare, considerando taxa de desconto de 14% ao ano.

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A estimativa considera um ciclo de dois cortes ao longo de 13 anos. O modelo financeiro indica receita bruta acumulada de R$ 104 mil por hectare e resultado líquido final de R$ 54 mil por hectare no período.

Em termos anuais, o retorno financeiro médio equivale a R$ 4,2 mil por hectare por ano. O valor representa um ganho correspondente a cerca de 30 sacas de soja por hectare ao ano, métrica acessível ao planejamento do produtor.

Mato Grosso reúne condições técnicas favoráveis para receber esses plantios, com disponibilidade de áreas, regime regular de chuvas e proximidade das indústrias consumidoras. A formação dessa base florestal firma uma nova frente de desenvolvimento econômico sustentável.

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