Ex-executivo troca mercado de luxo para ser jardineiro no centro de SP
Paulista troca três décadas no setor têxtil internacional pela revitalização de praças públicas e combate a alagamentos

O ex-executivo da indústria da moda Eduardo Pazian decidiu trocar o mercado de luxo internacional pelo trabalho de jardineiro em áreas públicas de São Paulo. A mudança de rota ocorreu após três décadas dedicadas ao setor têxtil em cinco companhias diferentes, com passagens pela Europa e pela Ásia.
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A decisão partiu de uma busca direta por equilíbrio pessoal e renovação profissional. Pazian explica que começou a perceber que a realização está no cotidiano e na convivência, não no consumo material. Com isso, passou a enxergar no trabalho manual com a terra uma oportunidade concreta de serviço urbano e bem-estar comunitário.
Jardins de chuva e drenagem urbana
Mesmo morando no 20º andar de um edifício na região central, Pazian transformou seu próprio apartamento em base de apoio para a atividade. O espaço funciona como um berçário doméstico, onde ele recebe mudas, prepara as espécies vegetais e organiza o material que é levado diariamente para as ruas da cidade.
Com autorização expressa da Prefeitura de São Paulo, o projeto começou há três anos. As ações concentram-se na recuperação de praças degradadas e na construção de infraestrutura verde para amenizar problemas crônicos da metrópole, como as enchentes no centro.
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A iniciativa aposta fortemente na implantação de jardins de chuva em áreas públicas. Essa técnica de bioengenharia urbana utiliza canteiros rebaixados com solo permeável e vegetação densa para captar e filtrar a água das chuvas que escorre pelas sarjetas.
Em vez de sobrecarregar as galerias pluviais convencionais por meio de bocas de lobo, a enxurrada é desviada para a estrutura vegetal. O mecanismo retém o volume excedente, alimenta o lençol freático e diminui os pontos de alagamento nas vias públicas.
Educação ambiental e convívio público
Além da drenagem ecológica, os canteiros têm finalidade didática e social. Pazian projeta os locais como espaços de aprendizado prático para escolas e pedestres que circulam pela capital.
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Entre as espécies cultivadas nas praças está o pau-brasil, utilizado como referência visual e histórica para estudantes e crianças da comunidade. A arborização estratégica também busca atrair aves nativas e recompor pequenos ecossistemas dentro da malha urbana de São Paulo.
O trabalho apoia-se em conceitos tradicionais de cultivo herdados de origens rurais. Segundo Pazian, a presença de vegetação abundante na Praça da República e em seu entorno atenua o ruído do tráfego de veículos e cria refúgios de silêncio em meio ao trânsito da cidade.
