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Agro

Governo brasileiro fará reunião com UE após ameaça de veto de exportações

Ex-ministro da agricultura, Roberto Rodrigues, demonstra confiança na capacidade técnica do setor sanitário brasileiro para cumprir o novo regulamento imposto

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13/05/2026 16:18 • Atualizado há 164 dias

Governo brasileiro fará reunião com UE após ameaça de veto de exportações

A diplomacia brasileira informou que irá se reunir, nas próximas semanas, com os membros da Comissão Europeia para esclarecer o possível veto às exportações de carnes, ovos e mel brasileiros a partir de setembro. Nesta terça-feira (12), a UE divulgou que o Brasil pode ser vetado da lista de fornecedores por não cumprir regras sanitárias, como o uso de medicamentos indutores de crescimento.

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Segundo estimativas do Ministério da Agricultura e Pecuária, a manutenção dessa proibição teria um potencial para causar uma perda anual de quase US$ 2 bilhões aos exportadores nacionais. Embora o bloco europeu não figure como o principal destino da carne brasileira, o impacto financeiro é considerado muito significativo.

O embaixador do Brasil junto à União Europeia, Pedro Miguel da Costa e Silva, afirmou que buscará esclarecimentos imediatos sobre a decisão. O diplomata agendou uma reunião com autoridades europeias do departamento de saúde animal para compreender os motivos técnicos que embasaram a nova diretriz, ja que o governo brasileiro alega que os medicamentos citados já são vetados no país e que todas as normas sanitárias são atendidas.

Ana Amélia Lemos, ex-senadora, avalia que a decisão possui um forte componente político e eleitoral. De acordo com a análise, países como a França, conhecidos pelo perfil protecionista, utilizam barreiras sanitárias como instrumento de pressão em disputas comerciais. Ela ressalta que o cenário reflete uma guerra comercial acirrada, especialmente após campanhas eleitorais na Europa marcadas pela oposição ao acordo entre Mercosul e União Europeia.

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Entenda a exigência técnica

Apesar da preocupação, especialistas pontuam que não se trata de uma suspensão definitiva, mas de uma nova exigência regulatória. O ponto central da divergência é o uso de antimicrobianos no rebanho bovino brasileiro.

O ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, explica que antimicrobianos são remédios utilizados preventivamente para evitar que os animais contraiam doenças infecciosas causadas por patógenos. Segundo Rodrigues, esses medicamentos também favorecem o desenvolvimento animal, mas a Europa demonstra preocupação com a repercussão dessas substâncias na saúde humana.

Rodrigues demonstra confiança na capacidade técnica do setor sanitário brasileiro para cumprir o novo regulamento imposto. "Temos tempo sim. Obviamente é um processo que implica burocracia e tecnicalidade, mas acredito que vamos vencer essa parada", afirmou o ex-ministro.

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A adequação às normas europeias é considerada estratégica para a imagem internacional do agronegócio brasileiro. Rodrigues ressalta que o reconhecimento dos produtos brasileiros pelo bloco europeu serve como um aval de qualidade perante o mercado global.

Ana Amélia Lemos reforça que o protagonismo do Brasil na produção mundial de alimentos é gigantesco. Por isso, qualquer alteração nas regras de exportação gera perturbações diretas para os produtores rurais, que buscam agora alinhar procedimentos para evitar prejuízos financeiros.

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