Mistura de etanol na gasolina exige pesquisa e incentivo, dizem analistas
Especialistas e governo debatem avanços técnicos e mecanismos de mercado para acelerar a descarbonização

A ampliação da mistura de etanol na gasolina depende de avanços em pesquisas técnicas, segurança regulatória e incentivos diretos para orientar a escolha do motorista. A conclusão foi apresentada durante a 26ª Conferência Internacional Datagro sobre Açúcar e Etanol, realizada nesta terça-feira (27), em São Paulo. O debate reuniu representantes do poder público, da academia e do setor produtivo para discutir a transição energética do país.
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O diretor do Gabinete da Secretaria Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, Marlon Arraes, avalia que o país conta com instrumentos regulatórios modernos. Entre os exemplos citados estão os programas Inovar-Auto, Rota 2030 e Mover, voltados à inovação industrial e eficiência energética dos motores.
Para Arraes, contudo, a tecnologia precisa vir acompanhada de estímulos perceptíveis na ponta final de consumo. "Temos que fazer que se torne claro e atrativo para o consumidor a escolha por alternativas de baixo carbono, como o etanol", afirmou o diretor durante o painel mediado pelo presidente da União Nacional da Bioenergia (UDOP), Hugo Cagno.
O representante do governo federal também defendeu a precificação de emissões dos combustíveis fósseis como ferramenta de mercado. Essa medida, segundo ele, ajuda a valorizar os ganhos ambientais do biocombustível da cana-de-açúcar frente aos derivados de petróleo.
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Desafios técnicos e frota em circulação
O gerente da Divisão de Motores e Veículos do Instituto Mauá de Tecnologia, Renato Romio, ressalta que a indústria automotiva nacional já domina soluções eficientes. O gargalo atual reside na criação de condições de mercado para acelerar a frota de modelos híbridos movidos a biocombustível.
“As soluções em engenharia estão prontas e a indústria automotiva tem sido atuante. Mas para que as soluções sustentáveis de descarbonização pela vertente do etanol no Brasil, como os híbridos a etanol, ganhem ainda mais aderência, o papel da regulação e da oferta tecnológica é criar incentivos e conscientizar o consumidor", explicou Romio.
O pesquisador lembra que a ciência fornece o suporte necessário para decisões regulatórias seguras. Ele alerta que qualquer aumento na proporção da mistura exige cautela em relação às emissões, ao consumo médio e à resposta mecânica dos motores que já rodam pelo país.
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Na avaliação dos debatedores, a integração permanente entre universidades, montadoras e órgãos reguladores é indispensável. Somente essa articulação técnica e econômica permitirá transformar o potencial da bioenergia brasileira em metas reais de sustentabilidade.
