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Monge budista produz café ecológico em templo na Serra da Mantiqueira

Agrônomo religioso investe no cultivo orgânico de café, frutas e hortaliças

3 min

15/09/2026 10:45 • Atualizado há 39 dias

Monge budista produz café ecológico em templo na Serra da Mantiqueira

Na Serra da Mantiqueira, no interior de São Paulo, um cultivo de cafés tem um toque especial de paz e equilíbrio. Lá, na propriedade onde está localizado o Templo Taikanji, o monge Enjo Sensei, cujo nome de registro civil é MarK Stael, combina técnicas de manejo agroecológico com preceitos espirituais para regenerar uma antiga área de pastagem.

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Formado em agronomia, o líder religioso produz café sustentável e outros alimentos, como frutas e hortaliças, com foco na conservação do solo e na harmonia com o meio ambiente.

A propriedade familiar foi adquirida há cerca de 40 anos pela mãe de Stahel. O espaço, que antes comportava pasto e plantios convencionais de feijão e milho, passa por um processo ininterrupto de recuperação ambiental desde 1988, quando Mark assumiu a gestão do local.

Antes de optar pela vida monástica, o religioso trabalhou 10 anos com agricultura tropical e cultivo de seringueiras para extração de borracha. Essa formação técnica permitiu estruturar uma rotina produtiva rigorosa, orientada pelo respeito aos ciclos naturais da terra.

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O projeto agrícola reúne atualmente 300 pés de café plantados em consórcio com árvores nativas e espécies de origem japonesa, como o carvalho. O sistema privilegia a diversidade biológica para manter o equilíbrio vegetal e repelir pragas.

Para nutrir as culturas sem o uso de defensivos sintéticos, o templo estabelece parcerias com propriedades vizinhas. Em troca do arrendamento de pasto, o sítio recebe esterco bovino e cama de frango para enriquecer as lavouras.

A adubação orgânica consiste na reciclagem de resíduos animais e vegetais para devolver nutrientes fundamentais ao solo, preservando micro-organismos úteis e retendo mais umidade. O método assegura o desenvolvimento vegetativo sem agredir os mananciais locais.

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Além do cafezal, o templo mantém horta automatizada, temperos variados e diversas espécies frutíferas. A produção atende diretamente ao consumo interno e abastece as refeições oferecidas durante os retiros espirituais.

O trabalho diário conta com a participação de voluntários que auxiliam na irrigação, na manutenção das plantações e na colheita. A colaboração comunitária viabiliza a rotina agrícola contínua e estimula o aprendizado prático no campo.

O caso demonstra que propriedades de menor porte conseguem unir equilíbrio ecológico e colheitas regulares.

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A base de trabalho de Enjo fundamenta-se nos preceitos budistas originados há mais de 2.500 anos, inspirados na renúncia material de Buda para a busca de conhecimento. Para o monge, o trabalho manual e o cuidado com a terra nascem da mesma raiz da espiritualidade.

O agricultor defende que a qualidade do produto final está diretamente associada à vitalidade do solo. Na visão do produtor, cuidar do terreno é a etapa primordial para que as plantas forneçam frutos saudáveis para quem os consome.

A transformação da antiga área de pastagem em um sistema biodiverso consolida os resultados do manejo sustentável a longo prazo. O espaço antes empobrecido mantém fertilidade elevada, preservação da água e vegetação abundante.

Monge budista produz café ecológico em templo na Serra da Mantiqueira