Monge budista produz café ecológico em templo na Serra da Mantiqueira
Agrônomo religioso investe no cultivo orgânico de café, frutas e hortaliças

Na Serra da Mantiqueira, no interior de São Paulo, um cultivo de cafés tem um toque especial de paz e equilíbrio. Lá, na propriedade onde está localizado o Templo Taikanji, o monge Enjo Sensei, cujo nome de registro civil é MarK Stael, combina técnicas de manejo agroecológico com preceitos espirituais para regenerar uma antiga área de pastagem.
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Formado em agronomia, o líder religioso produz café sustentável e outros alimentos, como frutas e hortaliças, com foco na conservação do solo e na harmonia com o meio ambiente.
A propriedade familiar foi adquirida há cerca de 40 anos pela mãe de Stahel. O espaço, que antes comportava pasto e plantios convencionais de feijão e milho, passa por um processo ininterrupto de recuperação ambiental desde 1988, quando Mark assumiu a gestão do local.
Antes de optar pela vida monástica, o religioso trabalhou 10 anos com agricultura tropical e cultivo de seringueiras para extração de borracha. Essa formação técnica permitiu estruturar uma rotina produtiva rigorosa, orientada pelo respeito aos ciclos naturais da terra.
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O projeto agrícola reúne atualmente 300 pés de café plantados em consórcio com árvores nativas e espécies de origem japonesa, como o carvalho. O sistema privilegia a diversidade biológica para manter o equilíbrio vegetal e repelir pragas.
Para nutrir as culturas sem o uso de defensivos sintéticos, o templo estabelece parcerias com propriedades vizinhas. Em troca do arrendamento de pasto, o sítio recebe esterco bovino e cama de frango para enriquecer as lavouras.
A adubação orgânica consiste na reciclagem de resíduos animais e vegetais para devolver nutrientes fundamentais ao solo, preservando micro-organismos úteis e retendo mais umidade. O método assegura o desenvolvimento vegetativo sem agredir os mananciais locais.
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Além do cafezal, o templo mantém horta automatizada, temperos variados e diversas espécies frutíferas. A produção atende diretamente ao consumo interno e abastece as refeições oferecidas durante os retiros espirituais.
O trabalho diário conta com a participação de voluntários que auxiliam na irrigação, na manutenção das plantações e na colheita. A colaboração comunitária viabiliza a rotina agrícola contínua e estimula o aprendizado prático no campo.
O caso demonstra que propriedades de menor porte conseguem unir equilíbrio ecológico e colheitas regulares.
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A base de trabalho de Enjo fundamenta-se nos preceitos budistas originados há mais de 2.500 anos, inspirados na renúncia material de Buda para a busca de conhecimento. Para o monge, o trabalho manual e o cuidado com a terra nascem da mesma raiz da espiritualidade.
O agricultor defende que a qualidade do produto final está diretamente associada à vitalidade do solo. Na visão do produtor, cuidar do terreno é a etapa primordial para que as plantas forneçam frutos saudáveis para quem os consome.
A transformação da antiga área de pastagem em um sistema biodiverso consolida os resultados do manejo sustentável a longo prazo. O espaço antes empobrecido mantém fertilidade elevada, preservação da água e vegetação abundante.
