Nordeste concentra 75% dos rebanhos de ovinos e caprinos do país
A criação de ovinos e caprinos cresce no Brasil e atinge novos recordes em todo o país, puxada principalmente pelos produtores rurais da Região Nordeste. De

Divulgação/CNA
A criação de ovinos e caprinos cresce no Brasil e atinge novos recordes em todo o país, puxada principalmente pelos produtores rurais da Região Nordeste. De acordo com o Boletim Nº 33 do Centro de Inteligência e Mercado de Caprinos e Ovinos (CIM), elaborado pela Embrapa com dados da Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM) do IBGE, o rebanho ovino nacional soma 22,31 milhões de animais — avanço de 1,55% —, enquanto a caprinocultura atinge 13,52 milhões de cabeças, registrando alta anual de 1,2%.
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Em termos absolutos, o país ganha mais 341.253 ovinos e 158.352 caprinos no último ciclo anual levantado. Entre 2021 e 2025, a média de expansão do setor mantém taxas anuais de 3,3% para as cabras e 2,1% para os carneiros.
No período mais recente, os carneiros passam a apresentar um ritmo de expansão superior ao dos caprinos. Segundo o pesquisador Klinger Magalhães, do CIM/Embrapa, essa aceleração reflete diretamente as exigências do mercado consumidor por carne de pequenos ruminantes.
"Na ovinocultura, é bem perceptível um aumento de procura. Os frigoríficos e os abatedouros estão mais atuantes, o que estimula os produtores rurais a ampliar as criações para atender ao mercado formal", afirma o especialista.
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Nordeste domina rebanhos de ovinos e caprinos
Os números do IBGE confirmam o domínio expressivo dos criadores nordestinos na atividade. Na caprinocultura, o Nordeste concentra 96,6% do plantel brasileiro, totalizando 13,07 milhões de cabeças, e é a única região a registrar crescimento anual (1,4%).
Em contrapartida, as outras áreas do país enfrentam retrações acentuadas. O Centro-Oeste sofre queda de 10,5% em seu efetivo caprino, enquanto o Sul e o Sudeste detêm juntos fatias de apenas 1% cada, com foco quase exclusivo na bacia leiteira em Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro.
Já na criação de ovinos, o Nordeste abriga 75,8% de todo o rebanho do Brasil, com 16,9 milhões de animais e incremento de 4,4%. Por outro lado, a Região Sul, segundo maior polo criador nacional com 3,49 milhões de cabeças, recua 8,6%. O Centro-Oeste registra 763,6 mil ovinos, o Norte tem 648,5 mil e o Sudeste soma 508,5 mil.
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Magalhães alerta que tamanha concentração regional traz oportunidades e desafios estratégicos ao produtor rural. "Podemos ver essa concentração como uma oportunidade de fornecer material genético ao mercado nacional, mas ela também acende um alerta sobre a perda de interesse de outras regiões pela atividade", pontua o pesquisador.
Bahia lidera produção e Casa Nova se destaca
No ranking por estados, a Bahia mantém a liderança absoluta no agronegócio de pequenos ruminantes. As propriedades baianas contam com o maior efetivo ovino (5,99 milhões de cabeças) e também o maior plantel caprino (4,69 milhões).
Pernambuco ocupa a segunda colocação nas duas espécies, somando 3,86 milhões de ovinos e 3,27 milhões de caprinos. Com o Piauí na terceira colocação caprina, os três estados concentram juntos 74,4% de todas as cabras do país. Já o Rio Grande do Sul, terceiro maior polo ovino, apresenta retração de 9,9%.
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No recorte entre cidades, Casa Nova, no interior da Bahia, consolida o título de maior polo produtor municipal do Brasil, somando 810,2 mil caprinos e 713,5 mil ovinos. Outros municípios do Vale do São Francisco, como Juazeiro (BA) e Petrolina (PE), também mantêm forte relevância econômica no setor.
Enquanto cidades nordestinas fortalecem a pecuária por meio do turismo rural e feiras gastronômicas, polos tradicionais do Sul perdem espaço. Um exemplo é Sant'Ana do Livramento (RS), que caiu da 2ª para a 8ª posição nacional no ranking de ovinos.
Oportunidades no consumo e organização de produtores
O levantamento do CIM indica aumento contínuo no consumo de produtos saudáveis derivados de ovinos e caprinos, em especial cortes nobres com baixo teor de gordura, leites e queijos especiais. Há também uma demanda não suprida em restaurantes refinados das grandes metrópoles do Sul e Sudeste durante datas comemorativas.
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Cooperativas de produtores rurais conseguem se organizar no Nordeste para atender a essas demandas com regularidade de escala. No Piauí, grupos organizados fornecem diretamente a abatedouros industriais, enquanto bacias em Pernambuco e na Paraíba se especializam em derivados lácteos.
Para suprir o mercado com padrão de carcaça e volume constante, o pesquisador do CIM aponta a necessidade urgente de capacitação técnica, programas de melhoramento genético e união em cooperativas.
"O desafio é ampliar os plantéis em sintonia com o planejamento forrageiro da propriedade e a composição genética. O produtor precisa estar integrado a entidades de classe e abatedouros formais, utilizando gestão para controlar custos e rentabilidade", recomenda Magalhães.
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Alerta climático de El Niño exige planejamento na fazenda
O avanço dos pequenos ruminantes ocorre em meio à pressão contínua das despesas operacionais. O encarecimento da ração animal, dos combustíveis e dos medicamentos veterinários corrói a margem de lucro dos criadores, somando-se a perdas por furto de gado e ataques de predadores.
O cenário exige atenção redobrada devido à previsão de um evento severo de El Niño nos próximos anos. O fenômeno climático altera as temperaturas e pode agravar secas prolongadas no semiárido.
Para evitar prejuízos severos e perda de animais por escassez de água e pastagem, o especialista da Embrapa orienta a adoção imediata de medidas preventivas de convivência com a estiagem, como o plantio de forrageiras resistentes, silagem e construção de barragens subterrâneas.
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"Soluções improvisadas na última hora não resolvem crises hídricas", adverte Magalhães. Entre os manejos indicados, o pesquisador enfatiza o descarte orientado do rebanho, com a venda prévia de animais improdutivos ou doentes antes do período de estiagem para equilibrar a quantidade de cabeças à reserva de pasto existente.
