
Brangus participa da Expointer 2026 com o maior número de animais
Divulgação/ABCA
A raça bovina Brangus atinge uma marca histórica na 49ª Expointer ao registrar 195 animais inscritos para a feira deste ano, realizada em Esteio, no Rio Grande do Sul. O volume consolida a variedade como a mais numerosa no pavilhão de argola — área reservada aos exemplares de elite que participam de julgamentos morfológicos e desfiles em pista.
A presença recorde no parque de exposições reforça a campanha nacional “Brangus, a raça do Brasil que produz”. A estratégia foca na divulgação da eficiência reprodutiva e no fornecimento de terneiros (bezerros desmamados) de alto rendimento para a pecuária de corte nacional.
Nos últimos cinco anos, o avanço do Brangus no território brasileiro decorre da capacidade de adaptação do animal a variações extremas de temperatura. Além disso, a rusticidade e a maior tolerância a carrapatos e outros parasitas ampliam a procura por pecuaristas em busca de produtividade.
Atualmente, o Brangus ocupa a terceira posição no ranking de comercialização de sêmen bovino no Brasil, atrás apenas das raças Angus e Nelore. O desempenho reflete a expansão de cruzamentos planejados para atender às demandas da indústria frigorífica.
Resistência climática e ciclo de alta na pecuária
O presidente da Associação Brasileira de Brangus, João Paulo Schneider da Silva, avalia que o setor pecuário entra em uma fase favorável, estimulada pela valorização da arroba e pela necessidade de reposição de animais de qualidade. “O mercado está entrando em um ciclo de alta nos preços, gerando maior demanda por produção de terneiros e de qualidade de carne. Isso representa uma grande oportunidade para o cruzamento com Brangus e oferece uma perspectiva positiva para os próximos três a quatro anos”, afirma Silva.
Desenvolvida originalmente nos Estados Unidos e adaptada no país com apoio de pesquisas da Embrapa em Bagé (RS), a raça resulta da cruza entre Angus e Zebu. O cruzamento reúne o marmoreio e a maciez de carne do gado britânico com a resistência térmica e rusticidade do rebanho zebuíno.
Em regiões ao norte do Paraná e em estados como São Paulo, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás, Rondônia e Pará, o Brangus é amplamente empregado em cruzamentos com o Nelore. A combinação atende especialmente à terminação intensiva — fase final de engorda do lote em confinamento antes do abate.
Debates técnicos no Dia do Brangus
Além das disputas de pista no Parque Assis Brasil, a associação promove o Dia do Brangus no domingo (30). O encontro reúne produtores rurais, agrônomos, pesquisadores e médicos veterinários das 9h30 às 13h.
A programação conta com três painéis temáticos. Os debates abordam a liderança feminina no campo, a relação entre consumo de carne bovina e bem-estar humano, além do manejo de rebanhos em diferentes biomas brasileiros.
A organização projeta reunir cerca de 150 participantes durante os debates. O objetivo central é analisar inovações genéticas e ferramentas de sustentabilidade frente aos desafios climáticos enfrentados pelo agronegócio.
A Associação Brasileira de Brangus contabiliza 357 criadores associados em 18 estados. A projeção internacional da genética nacional também ganhou força recentemente com a realização do Congresso Mundial da Raça Brangus no Brasil, evento de 16 dias que atraiu 5 mil participantes e delegações de 16 países.
Na Expointer, a entidade utiliza a concentração de animais como vitrine comercial e produtiva. O foco reside em impulsionar o fornecimento de carne de alto padrão tanto para o mercado interno quanto para o comércio exterior.
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