Agro

Conab aponta avanço desigual nas safras de milho, algodão e trigo

Colheita do algodão acelera no País, enquanto segunda safra de milho e trigo enfrentam atrasos e desafios com instabilidade do clima

3 min

20/08/2026 12:23 • Atualizado há 55 dias

Conab aponta avanço desigual nas safras de milho, algodão e trigo

A colheita de grãos no Brasil avança em ritmo desigual entre as principais culturas na safra 2025/26. Dados do boletim de progresso de safra da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) revelam que, enquanto a colheita de algodão registra forte aceleração no campo, o milho e o trigo enfrentam ritmos mais lentos e desiguais nas regiões produtoras.

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O levantamento oficial indica que os trabalhos nos campos brasileiros refletem diretamente as particularidades climáticas e a logística de cada estado produtor.

A colheita da segunda safra de milho 2025/26 chegou a 84,7% da área semeada. O número representa um avanço semanal de 6,5 pontos percentuais. Apesar do progresso recente, o índice segue abaixo dos 89,3% registrados no mesmo período da safra 2024/25 e da média dos últimos cinco anos, calculada em 86,6%.

Em estados como Tocantins e Maranhão, os produtores já encerraram os trabalhos. Por outro lado, Minas Gerais registra 62% da área colhida e o Paraná tem 60%, mantendo parcelas expressivas das lavouras ainda no campo.

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Algodão acelera e trigo tem colheita lenta

O algodão apresenta o desempenho mais dinâmico entre as três culturas monitoradas. Os trabalhos atingiram 59,6% da área plantada no ciclo 2025/26, com salto semanal expressivo de 15,9 pontos percentuais. O resultado supera com folga os 48,9% verificados no ciclo passado, embora ainda figure 4,9 pontos percentuais abaixo da média histórica.

Maranhão e Piauí lideram a retirada da pluma, ambos com 84% de área concluída. Em seguida, aparecem Mato Grosso do Sul e Goiás, com 77%.

No trigo, a colheita de 2026 está no início e cobre apenas 4,7% do total semeado. O índice avançou 1,4 ponto percentual na semana, abaixo dos 6,3% vistos em período equivalente na safra anterior.

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Goiás lidera a colheita do cereal com 70% da área. Já no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, os dois maiores produtores nacionais da cultura, as colheitadeiras ainda não entraram em operação. O grosso da produção deve chegar ao mercado nas próximas semanas.

Impactos climáticos e reflexos no mercado

As variações de temperatura e umidade continuam sendo o principal fator de pressão sobre a produtividade das lavouras no País. O diretor-executivo da GIROAgro, Leonardo Sodré, avalia que o clima instável prejudica diretamente a absorção de nutrientes no solo. "Tem região aquecendo quando devia estar frio, e região alagando quando devia estar seca, e a planta não perdoa esse tipo de instabilidade justamente na fase em que ela mais precisa de nutriente disponível", afirma Sodré.

O executivo destaca que estratégias de manejo nutricional ajudam a conter perdas no campo: "Não dá para controlar o clima, mas dá para garantir que a planta tenha o que precisa para não perder potencial produtivo no meio do caminho. É aí que a nutrição líquida bem aplicada faz a diferença".

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