Confinamento em MT deve atingir 1,33 milhão de bovinos em 2026, diz Imea
Projeção do instituto aponta salto de 43% no rebanho confinado, mas pecuarista enfrenta alta na reposição e cautela com exportações para a China

Mato Grosso deve confinar 1,33 milhão de bovinos em 2026, um avanço de 43,41% na comparação com as 928,67 mil cabeças registradas no ano passado. Os dados fazem parte do 2° levantamento de intenções de confinamento divulgado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).
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O levantamento revela que 56,47% dos pecuaristas consultados pretendem fechar lotes para a engorda intensiva no cocho. Outros 38,82% declaram que não vão adotar o sistema de confinamento e 4,71% permanecem indecisos.
Apesar da forte expansão na comparação anual, o volume total projetado representa uma revisão de 7,71% para baixo ante a primeira estimativa publicada em abril, quando o setor previa confinar 1,44 milhão de animais.
O estudo mostra um alívio expressivo no preço dos insumos para nutrição animal. O milho registra média de R$ 44,39 por saca, uma retração de 13,86% ante a média de 2025. Houve ainda desvalorização no caroço de algodão (-24,18%), no DDG — resíduo seco da produção de etanol de milho (-15,60%) — e no farelo de soja (-2,47%).
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Mesmo com a alimentação mais barata, a diária média do confinamento em Mato Grosso sobe para R$ 13,62 por cabeça. O valor indica um aumento de 3,54% em relação a abril e de 3,57% na comparação anual. Segundo o Imea, o encarecimento ocorre pela alta nos animais de reposição, etapa em que o produtor adquire animais jovens para engordar. O preço do bezerro de 12 meses acumula alta de 13,06% em doze meses.
Esse movimento coincide com o recuo de 17,11% no abate de fêmeas em julho, o que aponta para a retenção de matrizes nas fazendas para reprodução e diminui a oferta de bezerros no mercado.
A relação de troca — indicador que mede quantos bezerros o criador consegue adquirir com a venda de um boi gordo — também piorou. Em julho, são necessários 2,16 bezerros para comprar um boi gordo, recuo de 6,09% no poder de compra do pecuarista frente a 2025.
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O custo da arroba produzida (medida de peso equivalente a 15 quilos) varia conforme a estrutura de cada propriedade. A média no estado oscila entre R$ 220,50 e R$ 235 por arroba.
As fazendas com capacidade para até 1 mil animais registram custo médio de R$ 220,50 por arroba. Já os estabelecimentos de médio porte, de 3.001 a 5 mil cabeças, apresentam o custo mais elevado, fixado em R$ 235 por arroba. Nos grandes confinamentos, acima de 5 mil cabeças, o custo médio fica em R$ 223,13 por arroba.
O valor da reposição lidera as preocupações de 23,76% dos produtores de Mato Grosso. O preço da arroba do boi gordo aparece em segundo lugar, com 19,80%, seguido por incertezas políticas (15,84%), margens de lucro reduzidas (10,89%) e o ambiente geopolítico externo (8,91%).
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As oscilações do mercado explicam a cautela. Após alcançar a marca de R$ 360,01 por arroba em abril, o preço do boi gordo recuou para R$ 312,94 e encerrou julho cotado a R$ 324,17.
O calendário do segundo semestre concentra o ritmo das entregas: 80,74% de todo o gado confinado vai para o abate até o encerramento do ano. O intervalo entre setembro e novembro reúne 48,31% desses lotes.
A concentração de oferta coincide com o esgotamento da cota de importação de carne bovina da China. O mercado projeta a retomada plena das compras do país asiático a partir do fim de outubro, já vinculadas às cotas de 2027.
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Para evitar prejuízos com eventuais quedas nas cotações, 33,33% dos pecuaristas fecharam contratos a termo com frigoríficos, negociando previamente 17,52% dos animais. Outros 30,23% optaram por ferramentas de proteção futura na bolsa brasileira B3, garantindo o preço de venda de 14,44% do rebanho projetado.
