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Agro

Exportações brasileiras de tilápia caem após taxação dos EUA

Volume embarcado recuou 8,5% no ano passado; setor também alerta para riscos sanitários com a entrada de peixes do Vietnã no mercado nacional

2 min

09/01/2026 13:55 • Atualizado há 286 dias

Exportações brasileiras de tilápia caem após taxação dos EUA

As exportações brasileiras de tilápia e seus derivados encerraram o ano de 2025 com resultados negativos, impactadas diretamente por barreiras comerciais internacionais. O volume total embarcado para o exterior registrou uma queda de 8,5% em comparação ao ano anterior, conforme apontam os dados divulgados nesta sexta-feira (9) pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex). O principal motivo para esse desaquecimento nas vendas externas foi a política tarifária adotada pelos Estados Unidos.

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Segundo pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), as taxações impostas pelo mercado norte-americano reduziram a competitividade do produto nacional. Os Estados Unidos são, historicamente, o maior comprador da tilápia brasileira, especialmente na forma de filés frescos. Com as novas alíquotas de importação, o peixe produzido no Brasil chegou mais caro ao consumidor norte-americano, o que desestimulou as compras ao longo do último ano.

Queda na receita e no volume

Os números consolidados pela Secex mostram o tamanho do impacto nas contas do setor de piscicultura. De janeiro a dezembro de 2025, o Brasil exportou um total de 15,1 mil toneladas de tilápia. Esse montante é significativamente inferior às 16,5 mil toneladas registradas em 2024. O recuo no volume físico refletiu diretamente no faturamento das empresas exportadoras.

Em dólares, a receita obtida com as vendas somou US$ 59,8 milhões. O valor representa uma retração de 4% no comparativo anual. Já quando convertido para a moeda nacional, o faturamento somou R$ 336 milhões. Nesse cenário, a queda foi um pouco menor, de 1,2% em relação a 2024, amortecida levemente pelas variações cambiais do período.

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Preocupação com o mercado asiático

Além das dificuldades para enviar o produto para fora, o produtor brasileiro enfrenta desafios dentro de casa. Pesquisadores do Cepea destacam um cenário de alerta provocado pela abertura do mercado brasileiro para a tilápia vinda do Vietnã. A entrada do peixe asiático no Brasil gera duas grandes preocupações para a cadeia produtiva nacional.

A primeira é a competitividade econômica. O Vietnã possui custos de produção inferiores, o que permite que seu produto chegue às prateleiras brasileiras com preços agressivos, pressionando a margem de lucro do produtor local.

A segunda preocupação é de ordem sanitária. O setor produtivo questiona se o peixe importado segue os mesmos rigorosos controles de saúde animal e segurança alimentar exigidos dos piscicultores brasileiros. A introdução de patógenos ou doenças exóticas através da importação poderia colocar em risco a sanidade dos plantéis nacionais, comprometendo anos de desenvolvimento da aquicultura brasileira. Diante desse cenário de pressão nas duas pontas — dificuldade na exportação e concorrência na importação —, o setor busca estratégias para recuperar a rentabilidade em 2026.

Exportações brasileiras de tilápia caem após taxação dos EUA