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Agro

Exportação de café do Brasil recua 8% em março com queda na receita

Embarques somaram 3 milhões de sacas no mês; entressafra e gargalos logísticos explicam o desempenho negativo no setor cafeeiro

2 min

14/04/2026 05:00 • Atualizado há 193 dias

Exportação de café do Brasil recua 8% em março com queda na receita

As exportações brasileiras de café registraram queda de 7,8% em volume em março, totalizando 3,040 milhões de sacas de 60 kg. O recuo foi ainda mais acentuado na receita cambial, que somou US$ 1,125 bilhão, um desempenho 15,1% inferior ao registrado no mesmo período de 2025.

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Os dados foram divulgados pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). No acumulado do ano safra 2025/2026, que compreende os últimos nove meses, o setor apresenta um volume 21,2% menor do que no ciclo anterior, evidenciando um momento de retração nos embarques do principal produtor mundial.

Entressafra e logística impactam números

Segundo o presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, o cenário atual é reflexo direto do período de entressafra — intervalo entre o fim de uma colheita e o início da próxima. Ferreira explica que a nova safra de cafés canéforas (conilon e robusta) deve chegar ao mercado apenas em abril, enquanto os cafés arábica ganham fôlego no final de maio.

Além do ciclo natural da planta, o comportamento do produtor rural tem pesado na balança. Com os cafeicultores capitalizados, muitos optam por aguardar melhores momentos de mercado para negociar os estoques remanescentes, o que reduz a disponibilidade imediata do produto para exportação.

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Outro ponto crítico destacado pela entidade são os gargalos logísticos nos portos brasileiros. A infraestrutura defasada tem causado a retenção de centenas de contêineres, gerando prejuízos milionários e limitando a capacidade de escoamento do agronegócio nacional.

Tensões geopolíticas e destinos do café

O cenário internacional também apresenta desafios. Ferreira aponta que as negociações com os Estados Unidos ainda sofrem com incertezas comerciais após o período de tarifas elevadas. Paralelamente, conflitos no Oriente Médio, especificamente no Estreito de Ormuz, elevaram os custos de frete e seguros marítimos.

Apesar da queda de 15,6% nas compras, a Alemanha segue como o principal destino do café brasileiro, importando 1,192 milhão de sacas no primeiro trimestre. Os Estados Unidos aparecem em segundo lugar, mas com uma queda expressiva de 48,3% no volume adquirido em comparação ao ano passado.

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Tipos de café e cafés diferenciados

O café arábica continua sendo o carro-chefe das exportações, representando 79,3% do volume total. Já os cafés canéforas (conilon e robusta) apresentaram um crescimento de 11% no trimestre, mostrando a resiliência dessa variedade no mercado externo.

Os chamados "cafés diferenciados", que possuem qualidade superior ou certificados de sustentabilidade, representaram 19,1% dos embarques totais. Embora o volume desse nicho tenha caído 42,7%, o preço médio por saca atingiu US$ 451,56, reforçando o valor agregado desses produtos para a balança comercial brasileira.

Exportação de café do Brasil recua 8% em março com queda na receita