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Economia

Falta de mão-de-obra e defensivos causam perdas no agronegócio

Levantamentos do Cepea e Consevitis apontam corte em áreas de hortifrúti e perdas de R$ 210 milhões na produção gaúcha de uvas

3 min

26/08/2026 11:41 • Atualizado há 59 dias

Falta de mão-de-obra e defensivos causam perdas no agronegócio

A escassez de mão de obra qualificada e os impactos causados pela deriva de defensivos agrícolas tem sido os maiores desafios do agronegócio, sobretudo a produção de hortifrutis, em diferentes regiões do Brasil. De acordo com um estudo da Hortifruti Brasil, publicação vinculada ao Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), 93% dos agricultores relatam queda na oferta de trabalhadores nos últimos cinco anos.

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O problema atinge diretamente o segmento de frutas, verduras e legumes. Esse setor depende fortemente do trabalho manual em etapas cruciais, como o plantio, o manejo diário dos canteiros e a colheita. Como consequência direta do desfalque de equipes no campo, quase 40% dos produtores rurais afirmam que precisaram reduzir a área plantada de suas culturas.

O levantamento do Cepea aponta ainda que a dificuldade nas contratações já provoca atrasos nas operações cotidianas, elevação dos custos operacionais e perdas na produtividade das lavouras.

Deriva de herbicidas traz perdas milionárias para a vitivinicultura

Além dos entraves trabalhistas, a vitivinicultura — atividade dedicada ao cultivo de videiras e à elaboração de uvas, sucos e vinhos — enfrenta graves prejuízos causados pela aplicação incorreta de produtos químicos. No Rio Grande do Sul, o desperdício e o desvio na aplicação de herbicidas já geraram um impacto financeiro estimado em R$ 210 milhões para os produtores locais.

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Os dados constam em um levantamento realizado pelo Instituto de Gestão, Planejamento e Desenvolvimento da Vitivinicultura do Estado do Rio Grande do Sul (Consevitis). Segundo a entidade, pelo menos 700 hectares de vinhedos sofreram contaminações entre os anos de 2018 e 2025 em solo gaúcho.

O dano decorre da chamada deriva, fenômeno em que gotas ou vapores de defensivos usados em lavouras vizinhas são carregados pelo vento até atingir as parreiras.

Risco de contaminação paralisa investimentos no setor

A persistência do problema ameaça a estabilidade da vitivinicultura gaúcha nos próximos anos. As projeções do setor indicam que as perdas podem atingir R$ 150 milhões adicionais até 2030, caso medidas de contenção não sejam adotadas.

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A insegurança afeta diretamente o planejamento financeiro dos viticultores. Conforme a pesquisa do Concevitis, todos os produtores entrevistados declararam ter adiado ou reduzido novos investimentos em suas propriedades devido ao risco constante de novos episódios de contaminação.

Mecanização e capacitação técnica surgem como alternativas

Para mitigar a escassez de mão de obra no cultivo de frutas e hortaliças, os produtores aceleram a mecanização e a introdução de novas tecnologias no campo.

Especialistas do setor destacam que, além do maquinário moderno, é indispensável aprimorar as condições de trabalho e investir na qualificação profissional para reter os trabalhadores no meio rural.

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No caso da vitivinicultura, o enfrentamento dos prejuízos exige treinamentos rigorosos na pulverização, monitoramento das condições climáticas durante a aplicação e maior cooperação entre culturas vizinhas para assegurar a sustentabilidade do agronegócio.

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