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Mercado de cachaça expande com foco em qualidade e mira exportações

Vicente Bastos, presidente do Ibrac, analisa enobrecimento do produto nacional, consumo consciente e espaço para expansão no exterior

Da redação
DA REDAÇÃO

03/08/2026 • 12:49 • Atualizado em 03/08/2026 • 12:59

O mercado de cachaça no Brasil está em alta, impulsionado, principalmente, pelo aprimoramento da qualidade e fortalecimento da identidade da bebida típica nacional. Em entrevista ao AgroBand desta segunda-feira (3), o presidente do Instituto Brasileiro da Cachaça (Ibrac), Vicente Bastos, avaliou os fatores que impulsionam o segmento e detalhou as perspectivas para o setor no país e no exterior.

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A transformação do setor reflete mudanças no perfil dos consumidores e no modelo de negócios dos produtores rurais. Mesmo diante dos gargalos tributários e logísticos que ainda desafiam a cadeia produtiva, o segmento tem buscado soluções estruturadas para garantir a sustentabilidade da atividade econômica.

Segundo Vicente Bastos, a cachaça vem conquistando espaços estratégicos tanto na perspectiva de negócios quanto na preferência do público. Na visão do presidente do Ibrac, as dificuldades enfrentadas pelo setor produtivo não impedem o avanço do destilado brasileiro. "Felizmente, a cachaça tem soluções para os problemas que enfrenta e segue crescendo em atenção no mercado", afirmou Bastos ao analisar a conjuntura atual do agronegócio brasileiro.

Enobrecimento da bebida e padrão premium

Um dos principais avanços do setor é o processo de enobrecimento do produto. A cachaça premium refere-se às bebidas produzidas com elevado rigor técnico e frequentemente envelhecidas em barris de madeira, agregando maior valor comercial ao destilado.

O avanço no setor exige o cumprimento estrito dos Padrões de Identidade e Qualidade (PIQ). Esse conjunto de regras oficiais estabelece os parâmetros de composição, graduação alcoólica e higienização fixados pelo Ministério da Agricultura para assegurar a autenticidade e a segurança do alimento ao consumidor.

Bastos destaca que a busca pela excelência tem transformado a percepção do produto no Brasil. "A cachaça vem crescendo na atenção do público. Há um enobrecimento da bebida, que vai se tornando cada vez mais premium com a elevação dos padrões oficiais de identidade e qualidade", explicou o especialista.

A consolidação dessas normas regulatórias estimula alambiques e agroindústrias de pequeno, médio e grande porte a investirem em tecnologia de fermentação, destilação refinada e envelhecimento em madeiras nobres, tanto nacionais quanto importadas.

Potencial no mercado externo e consumo consciente

Apesar dos avanços observados na qualidade do produto, o comércio internacional da cachaça brasileira ainda se encontra em estágio inicial. O volume total destinado às exportações representa uma fração pequena do potencial de vendas no mercado global.

Na avaliação do presidente do Ibrac, existe um vasto campo para a inserção da bebida em mercados consumidores estratégicos da Europa, América do Norte e Ásia. "A exportação de cachaça ainda é muito pequena. Há um potencial muito grande para continuar crescendo", avaliou Bastos.

Outro fator determinante para o futuro do segmento é a transformação no comportamento do consumidor doméstico. O setor observa a consolidação da tendência de consumo consciente e responsável, em que o público prioriza a degustação de itens de qualidade superior. "Deve-se consumir com moderação. Cada vez mais se bebe melhor e menos, então há muito espaço para a cachaça crescer", afirmou o representante do Ibrac ao reforçar a importância da moderação.

A aposta na construção de uma identidade forte, aliada à rigorosa padronização de qualidade e ao investimento em mercados externos, posiciona a cachaça como um dos pilares de inovação e valorização do agronegócio brasileiro.