Agro

Ministro Mauro Vieira propõe pacto com países árabes por fertilizantes

Chanceler discursou no Fórum Econômico da Câmara Árabe-Brasileira e ressaltou a importância de proteger o agronegócio contra conflitos geopolíticos

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25/08/2026 15:44 • Atualizado há 61 dias

Ministro Mauro Vieira propõe pacto com países árabes por fertilizantes

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, propôs nesta terça-feira (25) que o Brasil e as nações do Oriente Médio estabeleçam um “pacto de previsibilidade” comercial. A declaração ocorreu durante discurso em vídeo transmitido no Fórum Econômico Brasil-Países Árabes, na capital paulista, com o objetivo de assegurar o fornecimento contínuo de fertilizantes e alimentos diante das recentes tensões geopolíticas internacionais.

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A proposta busca criar um mecanismo de proteção para os mercados contra a instabilidade global. Os conflitos no Oriente Médio provocaram forte elevação nos custos de frete marítimo e de logística para as cargas de alimentos brasileiros e de insumos agrícolas árabes negociados entre as regiões.

Para o agronegócio brasileiro, a estabilidade na oferta de fertilizantes — adubos e compostos químicos aplicados na terra para nutrir as lavouras e elevar a produtividade de grãos como soja e milho — é um fator estratégico. O País importa a maior parte desses nutrientes para manter o ritmo das safras, enquanto os países árabes figuram entre os maiores produtores globais do setor.

“O mundo árabe, gigante na produção desses insumos, e o Brasil, potência global do agronegócio, devem associar-se em torno de um pacto de previsibilidade”, ressaltou o chanceler brasileiro durante a conferência organizada pela Câmara de Comércio Árabe-Brasileira.

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Vieira explicou que a segurança alimentar funciona como uma via de mão dupla e exige equilíbrio na cadeia de suprimentos. Segundo o ministro, a garantia mútua no envio de insumos e na entrega de alimentos ajuda a blindar as economias contra choques de oferta e protege o bolso do consumidor.

O ministro defendeu que o mesmo modelo de previsibilidade seja aplicado nos projetos de transição energética e de sustentabilidade ecológica.

Na visão de Vieira, o Brasil oferece vantagens estruturais decisivas, como uma matriz elétrica com mais de 90% de fontes renováveis e grandes reservas de minerais críticos. Esses elementos minerais são fundamentais para o desenvolvimento da indústria eletrônica e a produção de baterias e tecnologias limpas no mercado internacional.

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O chanceler apontou que o mundo árabe dispõe de grande escala de capital e projetos consolidados em novos vetores energéticos. O ministro reforçou que a parceria entre as regiões abre espaço para atração de investimentos diretos, com protagonismo indispensável para a atuação do setor privado.

Mauro Vieira sugeriu ainda a realização de estudos voltados à estruturação de corredores marítimos de comércio. O plano tem a intenção de interligar rotas logísticas e aproximar a América Latina, os países árabes, a África e a Ásia.

Na área de serviços e integração monetária, o titular do Ministério das Relações Exteriores defendeu o desenvolvimento de instrumentos de financiamento em conjunto e elogiou o sistema financeiro do País ao citar a governança do PIX. “O Brasil tem no PIX um exemplo de política pública de êxito indiscutível nesse campo”, declarou Vieira. O chanceler afirmou que o avanço da digitalização econômica global deve ocorrer sob parâmetros sólidos de controle soberano e integridade nas transferências.

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O Fórum Econômico Brasil-Países Árabes reúne lideranças diplomáticas e empresariais em São Paulo, com o patrocínio de FAMBRAS Halal, International Halal Academy, Vale, DP World, CDIAL Halal, First Abu Dhabi Bank, MBRF, Qatar Airways e MZAH Investment.

Ministro Mauro Vieira propõe pacto com países árabes por fertilizantes