Cotação da mandioca sobe pela 8ª semana e passa de R$ 1 por grama de amido
Baixa oferta de raízes limita produção de fécula e farinha, sustentando alta das cotações no campo, segundo pesquisadores do Cepea

A cotação da mandioca registra valorização no campo brasileiro pela oitava semana consecutiva, impulsionada pela baixa oferta de matéria-prima para a indústria. O levantamento divulgado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) indica que o valor pago aos produtores já ultrapassa a marca de R$ 1,00 por grama de amido em diferentes regiões do país.
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A redução no volume de produto entregue às fecularias e farinheiras ocorre porque os agricultores mantêm postura cautelosa. Segundo o Cepea, há pouco interesse na comercialização de raízes de primeiro ciclo no momento, uma vez que a expectativa de novas altas estimula a retenção das lavouras no solo.
A raiz de primeiro ciclo corresponde à mandioca colhida entre 10 e 14 meses após o plantio. Quando o agricultor opta por não colher essa safra de imediato, a planta entra no segundo ciclo vegetativo, o que pode aumentar o rendimento em amido e o peso das raízes nos meses seguintes.
Além da estratégia de retenção comercial, a prática de poda em parte dos mandiocaais contribui para limitar a colheita para entrega imediata. O manejo cultural desacelera a disponibilidade do produto no curto prazo, reduzindo o fluxo diário de matéria-prima que chega às esteiras de processamento.
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No mercado de derivados, a escassez de raízes compromete diretamente o ritmo das indústrias de fécula e farinha. Com a oferta restrita nas principais regiões produtoras, as unidades industriais enfrentam dificuldades para operar na capacidade ideal, o que reduz o volume final estocado.
Mesmo com a matéria-prima enxuta, a procura por fécula e farinha de mandioca segue aquecida nos centros consumidores e no setor alimentício. Essa combinação de oferta reduzida e demanda firme impulsiona as cotações em toda a cadeia produtiva.
A indústria utiliza a grama de amido como referência padrão para calcular o pagamento aos fornecedores. Essa medida avalia a concentração de amido presente na raiz por meio do peso hidrostático, determinando a qualidade do lote e a remuneração final do mandiocuicultor.
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O comportamento do mercado nos próximos meses vai depender do ritmo da colheita e das decisões dos produtores rurais sobre o manejo das áreas de segundo ciclo. Caso o volume continue reduzido, as indústrias devem manter a disputa pelos poucos lotes disponíveis para entrega imediata.
A alta das cotações nas fábricas também tende a influenciar o custo de derivados essenciais, como a farinha de mesa, a fécula industrial e o polvilho, matérias-primas fundamentais para a panificação e para a fabricação de alimentos processados.
