Oferta restrita de mandioca eleva preços pela 5ª semana consecutiva
Preços da raiz de mandioca sobem 2,5% em sete dias devido à baixa umidade no solo e à comercialização limitada por produtores em busca de rentabilidade

A média semanal do preço da raiz de mandioca registrou o seu quinto avanço consecutivo, impulsionada por uma oferta restrita de matéria-prima e uma demanda crescente por parte da indústria. De acordo com pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, o cenário reflete dificuldades tanto climáticas quanto estratégicas no campo.
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Enquanto parte dos produtores opta por limitar a comercialização da raiz devido à baixa rentabilidade observada em períodos anteriores, o clima também desempenha um papel crucial. Em diversas áreas produtoras, a falta de umidade no solo endurece a terra e dificulta o avanço da colheita, reduzindo o volume disponível para as fecularias — indústrias que processam a mandioca para extrair o amido ou fécula.
Valor da tonelada acumula alta de 7,2%
Dados do Cepea revelam que o valor médio da tonelada de mandioca posta na fecularia fechou a última semana em R$ 503,96. Esse montante representa um aumento de 2,5% em comparação ao período anterior. Com esse novo ajuste, a alta acumulada nas últimas quatro semanas já soma 7,2%.
Para o setor de agronegócio, esses números indicam uma recuperação pontual, mas o setor ainda enfrenta desafios no comparativo de longo prazo. A entressafra — período entre o fim de uma colheita e o início da próxima — pode acentuar ainda mais a disputa pela matéria-prima se as condições climáticas não melhorarem nas próximas semanas.
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Comparativo anual aponta desvalorização real
Apesar do ciclo recente de altas, o valor nominal da mandioca ainda está 10,4% abaixo do patamar registrado no mesmo período de 2025. Quando os dados são analisados em termos reais, ou seja, descontando a inflação pelo Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI), a desvalorização anual chega a 8,7%.
Especialistas do setor alertam que o produtor rural precisa estar atento aos custos de produção para garantir que a atual tendência de alta compense as perdas acumuladas no último ano. A indústria, por sua vez, opera com margens estreitas diante da necessidade de garantir o abastecimento em um mercado de oferta cada vez mais disputado.
