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Agro

Piauí vende 3,5 mil jumentos para frigorífico baiano exportar à China

Quilo de pele de jumento é vendida por até R$ 4 mil na Ásia, mas frigoríficos pagam menos de R$ 200 no Brasil

3 min

06/09/2026 10:49 • Atualizado há 47 dias

Piauí vende 3,5 mil jumentos para frigorífico baiano exportar à China

O envio de jumentos piauienses para abate em frigoríficos baianos - autorizados para esta finalidade - triplicou neste ano. Em 2025, 1241 animais foram abatidos e em 2026, o número chega a 3,5 mil animais. A alta, comprovada por dados de emissão do Guia de Transporte Animal (GTA), documento necessários para transportar animais de um estado para o outro, deve-se ao interesse em exportação da pele do jumento para a Ásia.

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Para formalizar o transporte rodoviário de carga viva entre os estados, a Agência de Defesa Agropecuária do Piauí (Adapi) emitiu mais de 70 Guias de Trânsito Animal (GTAs) nos primeiros oito meses deste ano. A GTA é a certificação sanitária oficial exigida pelo poder público para qualquer circulação de rebanhos em território nacional.

O município de Marcos Parente, localizado na região sul piauiense, reúne o maior polo de concentração e recolhimento dos lotes antes do embarque interestadual. Contudo, dados técnicos confirmam a inexistência de fazendas dedicadas à reprodução comercial da espécie no estado.

A atividade apoia-se em um modelo estritamente extrativista, baseado na captura de animais dispersos em propriedades rurais e vias públicas. A ausência de criatórios voltados para a recomposição do plantel acende alertas sobre a sustentabilidade desse fluxo contínuo de retiradas e levantamento apontam a drástica redução do número de jumentos no Brasil, com risco de extinção.

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Os caminhões boiadeiros enfrentam trajetos que superam 1,3 mil quilômetros desde os currais piauienses até as plantas industriais frigoríficas instaladas em solo baiano. Fiscais estaduais acompanham o trânsito da carga até o posto fiscal de saída, situado no município de Cristalândia (PI).

Ao ingressar na Bahia, o monitoramento das cargas passa a envolver os órgãos sanitários locais e equipes do Ministério da Agricultura e Pecuária. O desembarque e o abate nos frigoríficos contam com a fiscalização do Serviço de Inspeção Federal (SIF), garantindo o atendimento às normas higiênico-sanitárias.

A cadeia econômica expõe um forte descompasso entre o valor pago ao homem do campo e o preço praticado no comércio exterior. No sertão do Piauí, intermediários compram cada jumento por valores que oscilam de R$ 50 a R$ 150. No comércio asiático, o produto chega a valores entre R$ 2 mil e R$ 4 mil.

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O destino de maior relevância é o mercado da China, que importa o material para a extração do colágeno utilizado na produção do ejiao, substância da medicina tradicional chinesa empregada em cosméticos e remédios. Além do aproveitamento prioritário do couro pelas indústrias farmacêuticas da Ásia, os frigoríficos baianos destinam os cortes de carne para mercados consumidores do exterior que autorizam a importação da proteína asinina.

Apesar da escalada nos embarques, a Adapi informou que não possui estimativa oficial fechada sobre a quantidade total de asininos que ainda devem ser transportados até o encerramento do ano de 2026. A agência de controle agropecuário também não publica tabelas discriminadas com as mais de 70 guias emitidas no período, mantendo restritos os dados cadastrais das empresas adquirentes e das indústrias de abate que operam o comércio desses animais.

Em 2025, o abate de jumentos chegou a ser proibido no Brasil, através de ações protocoladas por Ongs de proteção animal, mas neste ano, a lei foi revertida e frigoríficos autorizados voltaram a abater legalmente os jumentos.

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