Piscicultor perde 450 mil peixes após 23 horas sem energia no Paraná
FAEP cobra solução para oscilações no campo; Copel atribui interrupção a temporais severos

sugestao de legenda de foto Peixes mortos em propriedade de São João do Ivaí após interrupção no fornecimento de energia; produtor estima prejuízo milionário.
Foto: FAEP
Um piscicultor de São João do Ivaí, no Norte do Paraná, perdeu cerca de 450 mil peixes, o equivalente a aproximadamente 230 toneladas, após problemas no fornecimento de energia elétrica na propriedade. O prejuízo é estimado em milhões de reais e reacendeu as cobranças do setor por melhorias na rede elétrica rural.
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O caso foi divulgado pelo Sistema FAEP, que alerta para os impactos das quedas e oscilações de energia sobre a piscicultura. A atividade depende de aeradores elétricos para manter a oxigenação da água dos tanques.
A Copel, por sua vez, informou que a interrupção na propriedade ocorreu em meio a uma sequência de eventos climáticos severos que atingiram o Paraná e provocaram danos à rede elétrica. Segundo a companhia, cinco equipes foram mobilizadas para atender especificamente a ocorrência.
Produtor estima R$ 2,5 milhões apenas para repor peixes
O piscicultor Edilson Pini produz cerca de 800 toneladas de peixe por ano em 15 viveiros e mantém um frigorífico próprio.
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Segundo o relato divulgado pela FAEP, os cerca de 450 mil peixes perdidos seriam abatidos ao longo de quatro meses para atender contratos já firmados. A propriedade fornece pescado para a merenda escolar de 22 municípios, além de atender instituições como Corpo de Bombeiros, Polícia Militar, Sesc e Senac.
Somente para repor o plantel, Pini calcula que seriam necessários cerca de R$ 2,5 milhões. O prejuízo total ainda está sendo contabilizado.
“Eu quero da Copel a nossa matéria-prima de volta para nos reerguermos”, afirmou o produtor.
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Falta de energia começou em 29 de setembro
De acordo com o relato do piscicultor, a sequência de problemas começou em 29 de setembro, quando o fornecimento de energia foi interrompido por volta das 14h.
Pini afirma que fez o primeiro chamado à Copel às 15h16. Diante das oscilações, um gerador foi acionado para manter os equipamentos dos tanques funcionando.
Por volta das 20h, porém, o equipamento sofreu uma pane. Dois motores de arranque queimaram e a placa de automação foi danificada, gerando, segundo o produtor, aproximadamente R$ 20 mil em custos de reparo.
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Sem os aeradores funcionando, o produtor, a esposa e dois funcionários tentaram manter a oxigenação dos viveiros manualmente, inclusive com a utilização de oxigênio granulado.
As medidas não foram suficientes diante da quantidade de peixes nos tanques.
Segundo a FAEP, o fornecimento foi restabelecido por volta das 13h do dia seguinte, depois de aproximadamente 23 horas.
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Copel diz que temporais provocaram danos severos à rede
Em nota enviada à Band Paraná, a Copel afirmou que a propriedade teve o fornecimento interrompido em decorrência de eventos climáticos severos consecutivos, registrados entre os dias 28 e 29 de setembro.
A companhia afirma que a unidade consumidora foi religada na manhã do dia 30.
Segundo a Copel, apenas em 29 de setembro foram registradas 173,7 mil interrupções de energia relacionadas às tempestades no Paraná. Desse total, 107,2 mil, ou 61,7%, estavam no Noroeste, região mais afetada naquela data.
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Em São João do Ivaí e municípios próximos, a companhia afirma ter atendido 385 emergências causadas pelos temporais.
Cinco equipes foram mobilizadas, afirma Copel
A Copel informou que, após ser acionada pelo produtor na tarde de 29 de setembro, mobilizou cinco equipes, entre técnicos de obras e eletricistas.
De acordo com a empresa, foi necessária a reconstrução de trechos da rede após rompimentos de cabos, quebras de postes e outras avarias provocadas pela queda de galhos sobre as linhas de distribuição.
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A companhia destacou ainda que a região atingida tinha trechos de mata e locais de difícil acesso.
Em um intervalo de 35 dias entre setembro e o início de outubro, segundo a empresa, o Paraná enfrentou cinco eventos climáticos de grande intensidade que provocaram danos à rede elétrica.
Ainda segundo a Copel, do início de setembro até a primeira semana deste mês de outubro, foram substituídos 2.781 postes, 152 km de redes de média tensão e 7 torres de alta tensão por danos decorrentes das tempestades.
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Os temporais da semana passada, danificaram 698 postes, 38km de rede e 1 torre de alta tensão em todo o Paraná, substituídas pela Copel.
FAEP cobra melhorias no fornecimento rural
O presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, afirma que a estabilidade do fornecimento de energia é essencial para a continuidade da piscicultura.
“O produtor rural investiu, se profissionalizou e produz com eficiência, mas nada disso se sustenta sem energia de qualidade. Na piscicultura, a falta de energia significa falta de oxigênio nos tanques e, em poucas horas, perda de animais e prejuízos financeiros na casa dos milhões de reais”, afirmou.
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A entidade também relata problemas com oscilações de tensão em outras regiões produtoras.
Segundo Edio Chapla, presidente da Comissão Técnica de Aquicultura do Sistema FAEP e piscicultor em Marechal Cândido Rondon, quedas rápidas e redução de tensão podem impedir tanto o funcionamento dos aeradores quanto o acionamento automático dos geradores.
Chapla afirma que os custos com energia já representam mais de 55% do custo de um lote na atividade.
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Paraná lidera produção de tilápia
De acordo com dados do Anuário Brasileiro da Piscicultura 2026 citados pela FAEP, o Paraná produziu mais de 273 mil toneladas de pescado em 2025 e ocupa a liderança nacional na produção de tilápia.
Nas exportações, o Estado respondeu por metade das 12 mil toneladas de tilápia enviadas pelo Brasil ao exterior em 2025, movimentando mais de US$ 28 milhões, conforme os dados apresentados pela entidade.
Entre os principais municípios produtores estão Toledo, Palotina, Nova Aurora, São José dos Pinhais e Marechal Cândido Rondon.
