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Piscicultor perde 450 mil peixes após 23 horas sem energia no Paraná

FAEP cobra solução para oscilações no campo; Copel atribui interrupção a temporais severos

5 min

09/10/2026 14:49 • Atualizado há 7 horas

Piscicultor perde 450 mil peixes após 23 horas sem energia no Paraná

sugestao de legenda de foto Peixes mortos em propriedade de São João do Ivaí após interrupção no fornecimento de energia; produtor estima prejuízo milionário.

Foto: FAEP

Um piscicultor de São João do Ivaí, no Norte do Paraná, perdeu cerca de 450 mil peixes, o equivalente a aproximadamente 230 toneladas, após problemas no fornecimento de energia elétrica na propriedade. O prejuízo é estimado em milhões de reais e reacendeu as cobranças do setor por melhorias na rede elétrica rural.

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O caso foi divulgado pelo Sistema FAEP, que alerta para os impactos das quedas e oscilações de energia sobre a piscicultura. A atividade depende de aeradores elétricos para manter a oxigenação da água dos tanques.

A Copel, por sua vez, informou que a interrupção na propriedade ocorreu em meio a uma sequência de eventos climáticos severos que atingiram o Paraná e provocaram danos à rede elétrica. Segundo a companhia, cinco equipes foram mobilizadas para atender especificamente a ocorrência.

Produtor estima R$ 2,5 milhões apenas para repor peixes

O piscicultor Edilson Pini produz cerca de 800 toneladas de peixe por ano em 15 viveiros e mantém um frigorífico próprio.

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Segundo o relato divulgado pela FAEP, os cerca de 450 mil peixes perdidos seriam abatidos ao longo de quatro meses para atender contratos já firmados. A propriedade fornece pescado para a merenda escolar de 22 municípios, além de atender instituições como Corpo de Bombeiros, Polícia Militar, Sesc e Senac.

Somente para repor o plantel, Pini calcula que seriam necessários cerca de R$ 2,5 milhões. O prejuízo total ainda está sendo contabilizado.

“Eu quero da Copel a nossa matéria-prima de volta para nos reerguermos”, afirmou o produtor.

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Falta de energia começou em 29 de setembro

De acordo com o relato do piscicultor, a sequência de problemas começou em 29 de setembro, quando o fornecimento de energia foi interrompido por volta das 14h.

Pini afirma que fez o primeiro chamado à Copel às 15h16. Diante das oscilações, um gerador foi acionado para manter os equipamentos dos tanques funcionando.

Por volta das 20h, porém, o equipamento sofreu uma pane. Dois motores de arranque queimaram e a placa de automação foi danificada, gerando, segundo o produtor, aproximadamente R$ 20 mil em custos de reparo.

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Sem os aeradores funcionando, o produtor, a esposa e dois funcionários tentaram manter a oxigenação dos viveiros manualmente, inclusive com a utilização de oxigênio granulado.

As medidas não foram suficientes diante da quantidade de peixes nos tanques.

Segundo a FAEP, o fornecimento foi restabelecido por volta das 13h do dia seguinte, depois de aproximadamente 23 horas.

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Copel diz que temporais provocaram danos severos à rede

Em nota enviada à Band Paraná, a Copel afirmou que a propriedade teve o fornecimento interrompido em decorrência de eventos climáticos severos consecutivos, registrados entre os dias 28 e 29 de setembro.

A companhia afirma que a unidade consumidora foi religada na manhã do dia 30.

Segundo a Copel, apenas em 29 de setembro foram registradas 173,7 mil interrupções de energia relacionadas às tempestades no Paraná. Desse total, 107,2 mil, ou 61,7%, estavam no Noroeste, região mais afetada naquela data.

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Em São João do Ivaí e municípios próximos, a companhia afirma ter atendido 385 emergências causadas pelos temporais.

Cinco equipes foram mobilizadas, afirma Copel

A Copel informou que, após ser acionada pelo produtor na tarde de 29 de setembro, mobilizou cinco equipes, entre técnicos de obras e eletricistas.

De acordo com a empresa, foi necessária a reconstrução de trechos da rede após rompimentos de cabos, quebras de postes e outras avarias provocadas pela queda de galhos sobre as linhas de distribuição.

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A companhia destacou ainda que a região atingida tinha trechos de mata e locais de difícil acesso.

Em um intervalo de 35 dias entre setembro e o início de outubro, segundo a empresa, o Paraná enfrentou cinco eventos climáticos de grande intensidade que provocaram danos à rede elétrica.

Ainda segundo a Copel, do início de setembro até a primeira semana deste mês de outubro, foram substituídos 2.781 postes, 152 km de redes de média tensão e 7 torres de alta tensão por danos decorrentes das tempestades.

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Os temporais da semana passada, danificaram 698 postes, 38km de rede e 1 torre de alta tensão em todo o Paraná, substituídas pela Copel.

FAEP cobra melhorias no fornecimento rural

O presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, afirma que a estabilidade do fornecimento de energia é essencial para a continuidade da piscicultura.

“O produtor rural investiu, se profissionalizou e produz com eficiência, mas nada disso se sustenta sem energia de qualidade. Na piscicultura, a falta de energia significa falta de oxigênio nos tanques e, em poucas horas, perda de animais e prejuízos financeiros na casa dos milhões de reais”, afirmou.

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A entidade também relata problemas com oscilações de tensão em outras regiões produtoras.

Segundo Edio Chapla, presidente da Comissão Técnica de Aquicultura do Sistema FAEP e piscicultor em Marechal Cândido Rondon, quedas rápidas e redução de tensão podem impedir tanto o funcionamento dos aeradores quanto o acionamento automático dos geradores.

Chapla afirma que os custos com energia já representam mais de 55% do custo de um lote na atividade.

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Paraná lidera produção de tilápia

De acordo com dados do Anuário Brasileiro da Piscicultura 2026 citados pela FAEP, o Paraná produziu mais de 273 mil toneladas de pescado em 2025 e ocupa a liderança nacional na produção de tilápia.

Nas exportações, o Estado respondeu por metade das 12 mil toneladas de tilápia enviadas pelo Brasil ao exterior em 2025, movimentando mais de US$ 28 milhões, conforme os dados apresentados pela entidade.

Entre os principais municípios produtores estão Toledo, Palotina, Nova Aurora, São José dos Pinhais e Marechal Cândido Rondon.

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