Plantações de tomate aumentam 10% em SP, mas produtividade cai 11%
A produção de tomate em São Paulo encerra a safra de inverno com um paradoxo no campo: mesmo com o avanço de 10,8% no espaço plantado, o volume colhido recua

A produção de tomate em São Paulo encerra a safra de inverno com um paradoxo no campo: mesmo com o avanço de 10,8% no espaço plantado, o volume colhido recua 1,9%, somando 423 mil toneladas. O levantamento do Instituto de Economia Agrícola (IEA), em parceria com a Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI), revela que o rendimento médio das lavouras paulistas cai 11,5%, fixando-se em 82,3 toneladas por hectare.
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Os dados oficiais apontam que os agricultores destinaram 5,1 mil hectares ao cultivo no estado. Esse ciclo abrange o tomate envarado — método voltado ao fruto de mesa em que os ramos da planta são amarrados verticalmente a estacas de madeira ou bambu para garantir tomates mais limpos e protegidos.
A Regional de Itapeva lidera o abastecimento estadual com 58,8% do volume global. Já a Regional de Campinas ocupa a segunda posição, sendo responsável por 11,3% da colheita paulista.
Nesse polo produtivo, que reúne cidades como Sumaré, Monte Mor e Mogi Guaçu, o contraste entre a área semeada e a entrega final acende o alerta. Os tomaticultores enfrentam custos elevados com fertilizantes, defensivos agrícolas, mão de obra e energia ao longo de todo o desenvolvimento da cultura.
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Com margens de lucro pressionadas, ampliar o número de lavouras deixa de assegurar rentabilidade. O foco da atividade migra da expansão territorial para o ganho de eficiência dentro da propriedade.
O gerente comercial da Hydroplan-EB, Francisco de Carvalho, analisa que o resultado da safra expõe os limites de buscar retorno financeiro apenas com mais terra arada.
“Quando temos mais hectares plantados e, ainda assim, uma produção menor, a discussão necessariamente passa pela eficiência. O produtor precisa olhar para quanto cada hectare consegue entregar e para o aproveitamento dos recursos que já estão sendo utilizados dentro da propriedade”, avalia Carvalho.
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Entre os insumos mais sensíveis na tomaticultura está a água. Qualquer oscilação hídrica compromete o pegamento das flores, o tamanho do legume e a capacidade de absorção de insumos químicos e orgânicos pelo vegetal.
Nas propriedades monitoradas pela empresa no cinturão de Campinas, a irrigação por gotejamento — sistema que conduz água e fertilizantes diretamente na base da raiz por mangueiras perfuradas — já integra o manejo diário. O desafio consiste em reter o recurso no solo.
Carvalho explica que a tubulação leva a água até a lavoura, mas parte significativa pode ser perdida por evaporação ou drenagem excessiva se a terra não conseguir conservá-la na profundidade explorada pelas raízes.
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Para mitigar o estresse hídrico, agricultores utilizam condicionadores de solo como o HB10 Drip, diluído diretamente no encanamento de irrigação para ampliar a capacidade de retenção hídrica na rizosfera.
O engenheiro agrônomo da Biogênese, Márcio Boldrin, relata que testes monitorados em lavouras comerciais registraram aumentos entre 8% e 10% na produtividade por hectare nas áreas tratadas, quando comparadas ao manejo padrão da região.
Boldrin destaca ainda que o tratamento favorece plantas mais enfolhadas e reduz o murchamento nos horários de calor extremo. A maior retenção no solo também combate a lixiviação — fenômeno em que o excesso de água escorre e carrega os adubos para camadas subterrâneas inacessíveis às raízes.
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Na avaliação de Francisco de Carvalho, a sustentabilidade da tomaticultura paulista está condicionada à gestão de custos de cada metro quadrado. Fazer a estrutura existente render mais quilos de alimento por metro cúbico de água aplicada desponta como a saída econômica para as próximas safras.
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