Preço da soja cai com previsão de safra recorde e menor demanda
Cotação para exportação em 2027 atinge o menor valor desde agosto

O preço da soja registra forte pressão de baixa no mercado brasileiro diante da expectativa de uma colheita volumosa para o ciclo 2026/27. A estimativa de alta oferta no campo desestimula novas compras de grande porte e afeta diretamente as cotações futuras do grão.
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Segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a paridade de exportação da oleaginosa para embarque em 2027 atingiu o menor patamar registrado desde agosto. A conjuntura reflete o clima favorável nas principais regiões produtoras do Brasil e dos Estados Unidos.
A paridade de exportação representa o cálculo de equivalência do preço do produto posto no porto de embarque brasileiro em comparação com as cotações internacionais negociadas na Bolsa de Chicago, descontados custos logísticos, taxas e fretes.
Resistência dos compradores trava negócios
Pesquisadores do Cepea indicam que as indústrias e os compradores externos recuam na aquisição de grandes lotes. As empresas demonstram cautela em fechar contratos expressivos no momento, tanto para entrega imediata no mercado físico quanto para remessas ao longo do próximo ano.
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Essa resistência generalizada da ponta compradora reduz sensivelmente a liquidez no mercado doméstico. A estratégia das indústrias consiste em postergar as negociações mais robustas para aguardar a entrada da nova safra nacional, período em que os valores de mercado costumam recuar.
A maior parte dos agentes comerciais afirma estar bem estocada no curto e médio prazos. Com armazéns cheios, os intermediários e esmagadores realizam apenas compras pontuais para suprir necessidades imediatas da rotina industrial, sem comprometer capital em contratos antecipados.
Vendas menores de farelo e óleo afetam indústrias
Representantes de indústrias processadoras consultados pelo centro de pesquisas ressaltam que a procura mais fraca pelo grão também decorre do ritmo lento nas vendas de subprodutos. O escoamento do farelo e do óleo de soja perdeu força nos últimos dias nos canais de distribuição.
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No caso específico do farelo de soja, insumo essencial na nutrição de aves e suínos, parte expressiva dos compradores reforçou as aquisições em setembro para formar estoques preventivos. O movimento antecipado retirou o fôlego das negociações no mercado físico atual, chamado de spot.
Sem a pressão compradora das fábricas e com a perspectiva de lavouras cheias nos principais polos agrícolas globais, os produtores enfrentam um cenário de negociações travadas. O mercado segue em compasso de espera até o início oficial da colheita e a definição do volume total produzido no país.
