Preço de legumes cai e alivia a inflação, mas leite e carne sobem
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta sexta-feira (11) o índice IPCA, com a prévia do índice de inflação. O Índice Nacional

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta sexta-feira (11) o índice IPCA, com a prévia do índice de inflação. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de agosto foi de -0,32%, 0,39 ponto percentual (p.p.) abaixo do 0,07% registrado em julho.
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O alívio na inflação no grupo de alimentos consumidos em casa reflete a intensificação da safra de inverno e o clima seco no campo, fatores que ampliam a oferta de legumes e verduras nos entrepostos comerciais. O movimento de retração, no entanto, contrasta com o avanço de preços registrado no leite longa vida e na carne bovina.
No grupo dos produtos que ficaram mais baratos na mesa do consumidor, a batata-inglesa lidera o recuo com queda de 19,89%, acompanhada pelo tomate, que registra retração de 10,94%.
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Segundo levantamento do Cepea, da Esalq/Usp, o avanço da colheita da safra de inverno em polos agrícolas de São Paulo, Minas Gerais e Goiás injeta grande volume de mercadorias no mercado atacadista.
Como se trata de culturas altamente perecíveis e de ciclo rápido, o produto precisa ser comercializado sem demora. Essa dinâmica força o repasse imediato de descontos das Centrais de Abastecimento (Ceasas) até as gôndolas dos supermercados.
A cenoura e a cebola seguem a mesma tendência deflacionária, com variações negativas de 11,22% e 11,07%, respectivamente.
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De acordo com o Programa de Modernização do Mercado Hortigranjeiro (Prohort), da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a oferta dessas raízes ganha ritmo firme com a colheita regular no Cerrado brasileiro.
O tempo seco e as temperaturas elevadas aceleram o desenvolvimento das lavouras em campo aberto. Com isso, os entrepostos atacadistas mantêm estoques abastecidos e asseguram a queda das cotações.
Na contramão das lavouras de horta, as cadeias da pecuária enfrentam custos operacionais mais elevados e menor oferta de matéria-prima. O leite longa vida apresenta alta de 1,78% no índice oficial de preços. O derivado sente os efeitos da entressafra — intervalo no calendário produtivo marcado pela estiagem nas principais bacias leiteiras do Sudeste e do Centro-Oeste.
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Com a seca, as pastagens perdem qualidade nutricional, o que reduz o volume de captação de leite cru nas fazendas. A disputa das indústrias pelo produto no mercado spot (compras à vista realizadas entre laticínios fora dos contratos rotineiros) encarece a versão UHT final nas prateleiras.
As carnes também registram alta média de 0,61% na apuração da inflação. O comportamento dos preços decorre da transição do ciclo pecuário durante os meses de estiagem.
A menor quantidade de animais terminados a pasto obriga os frigoríficos a recorrerem ao gado de confinamento, sistema fechado em que a alimentação à base de ração concentrada eleva os custos de manejo do pecuarista.
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Além da oferta mais restrita no mercado doméstico, a forte procura de compradores estrangeiros mantém os embarques aquecidos nos portos do Brasil, conforme apontam os indicadores do Cepea/B3.
A combinação entre a demanda externa aquecida e os gastos maiores dentro da porteira sustenta valores mais firmes nos balcões dos açougues, compensando parcialmente a queda observada nos vegetais.
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