Preço do arroz reage no RS, mas custos travam liquidez no mercado
Margens negativas e alta nos fretes limitam negociações; produtores pedem auxílio ao governo para pagamento de custeio

Mesmo com o recente movimento de alta nos preços do arroz no Rio Grande do Sul, o mercado gaúcho ainda enfrenta um cenário de baixa liquidez. De acordo com dados divulgados nesta quarta-feira (25) pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), os custos de produção elevados e as margens de lucro negativas são os principais entraves que travam as negociações no setor.
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A liquidez é um termo técnico que indica a facilidade e a velocidade com que um produto pode ser convertido em dinheiro sem perda significativa de valor. No atual cenário, o arroz não está circulando com facilidade entre vendedores e compradores.
Custos logísticos e diesel pressionam setor
Segundo os pesquisadores, o comportamento dos compradores tem sido de cautela. Uma parcela das indústrias prioriza a aquisição de arroz que já está disponível nas unidades de beneficiamento, evitando novos deslocamentos.
Essa estratégia é motivada pelas dificuldades logísticas enfrentadas no estado. O setor sofre com o encarecimento dos fretes, um reflexo direto da alta acumulada nos preços do óleo diesel.
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Produtores aguardam melhores condições
Pelo lado da oferta, o produtor rural adota uma postura retraída. Apesar da valorização nos preços nominais da saca de arroz, o patamar atual ainda não garante a rentabilidade desejada frente ao custo total da safra.
Dessa forma, quem produz prefere aguardar por condições de venda que ofereçam maior margem financeira, o que ajuda a explicar o baixo volume de negócios registrado pelo Cepea.
Entidades articulam apoio ao custeio
Diante da instabilidade financeira, entidades representativas do setor, como a Farsul (Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul) e a Federarroz (Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul), intensificaram a articulação junto ao poder público.
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O foco central da mobilização é a alteração no cronograma de pagamento do custeio da safra 2025/26. Atualmente, o pagamento é estruturado em até quatro parcelas.
A proposta enviada pelas entidades prevê a ampliação desse parcelamento para oito meses. O objetivo é reduzir a pressão sobre o produtor no período de maior oferta, evitando que ele seja obrigado a comercializar o arroz em momentos de preços desfavoráveis apenas para quitar dívidas bancárias.
O custeio agrícola é o recurso destinado a cobrir as despesas normais dos ciclos produtivos, desde o preparo do solo até a colheita.
