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Setor de cachaça mira mercado externo e alerta para o Imposto Seletivo

No Dia Nacional da Cachaça, celebrado neste 13 de setembro, os produtores do destilado intensificam ações para abrir mercados internacionais e alertam para os

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13/09/2026 07:00 • Atualizado há 1 dia

Setor de cachaça mira mercado externo e alerta para o Imposto Seletivo

No Dia Nacional da Cachaça, celebrado neste 13 de setembro, os produtores do destilado intensificam ações para abrir mercados internacionais e alertam para os impactos econômicos da regulamentação do Imposto Seletivo no Brasil.

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A ofensiva comercial faz parte da quarta edição do projeto "Cachaça: Taste the New, Taste Brasil", realizado pelo Instituto Brasileiro da Cachaça (Ibrac) em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil).

A iniciativa conta com investimento de R$ 2,63 milhões e atende de 70 a 80 empresas da cadeia produtiva. O cronograma prevê rodadas de negócios, missões comerciais e ações de promoção que começam em novembro no México e chegam à Alemanha em 2027.

O convênio também impulsiona o Peiex Agro Cachaça, programa que prepara pequenas e médias destilarias para atender às exigências sanitárias e regulatórias do comércio exterior.

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Segundo o presidente do Ibrac, Vicente Bastos, a aproximação direta com importadores é essencial para posicionar a bebida nacional em nichos de alto valor agregado. "Estamos iniciando uma nova etapa de internacionalização da Cachaça. Essas ações são fundamentais para aproximar nossos produtores de compradores internacionais e ampliar o reconhecimento do destilado brasileiro no exterior", afirma Bastos.

O esforço de vendas externas acompanha o crescimento da atividade no território nacional. Conforme dados do Anuário da Cachaça 2026, elaborado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o país encerrou o último ano com 1.538 estabelecimentos produtores registrados.

O volume representa alta de 21,5% na comparação com o ciclo anterior e avanço expressivo de 61,7% frente a 2018. Atualmente, a fabricação formal de cachaça está presente em 844 cidades brasileiras, número 14,8% superior em relação a 2024.

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Nas exportações, o produto alcançou 7,96 milhões de litros enviados para 76 países em 2025, o que significa um crescimento anual de 19,4%.

Apesar de a fatia ainda ser pequena no mercado mundial de destilados, a liderança setorial avalia que o aumento constante nos embarques comprova o interesse do público internacional por produtos artesanais e de identidade típica brasileira.

Apesar dos números positivos no campo e nos alambiques, a indústria manifesta preocupação com o mercado doméstico. A regulamentação da reforma tributária coloca em debate a incidência do Imposto Seletivo, tributo criado para desestimular o consumo de itens prejudiciais à saúde.

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Bastos adverte que a cachaça já suporta, nas alíquotas nominais do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), uma carga tributária cerca de quatro vezes maior que a aplicada a outras categorias alcoólicas.

De acordo com a entidade, a ampliação dessa diferença fiscal coloca em risco os postos de trabalho e penaliza principalmente os pequenos produtores rurais, responsáveis pela maior parte da produção artesanal.

"A informalidade no setor da Cachaça já é ameaçadora, tanto para a saúde pública como para a sobrevivência das empresas regularizadas perante a legislação já exageradamente abrangente e complexa", avalia o presidente do Ibrac.

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Ele aponta o contraste entre a geração de renda local e a carga fiscal. "Temos um setor que cresce, gera renda em centenas de municípios e conquista novos mercados, mas que continua enfrentando uma das maiores cargas tributárias do segmento de bebidas alcoólicas no próprio país. Se essa distorção for mantida ou ampliada pelo Imposto Seletivo, poderemos comprometer a sobrevivência de milhares de produtores e levar parte da cadeia ao colapso", alerta Bastos.

Para solucionar a disparidade, o Ibrac propõe que o modelo tributário considere o volume de álcool presente na porção consumida. Pelos cálculos técnicos apresentados pela entidade, uma dose padrão de cachaça, uma taça de vinho e uma lata de cerveja contêm, em média, os mesmos 14 gramas de álcool.

"Para a entidade, situações equivalentes devem receber tratamento tributário equivalente", reforça o dirigente, ao defender critérios equilibrados de concorrência entre as bebidas.

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A comemoração deste 13 de setembro remonta à Revolta da Cachaça, ocorrida em 1661 no Rio de Janeiro, quando fabricantes se rebelaram contra as proibições e taxas cobradas pela Coroa portuguesa.

Criada pelo setor produtivo em 2009, a celebração aguarda reconhecimento legal definitivo em âmbito federal. O Projeto de Lei nº 3.771/2023, que institui formalmente a data comemorativa no calendário do país, segue em tramitação no Senado Federal.

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