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Soja brasileira mantém relevância econômica na China, diz Cabrera

Ex-ministro avalia impacto da reunão entre Washington e Pequim e destaca competitividade brasileira no setor

2 min

25/09/2026 10:58 • Atualizado há 28 dias

Soja brasileira mantém relevância  econômica na China, diz Cabrera

A exportação de soja brasileira mantém a competitividade global e não corre risco imediato com as negociações entre China e Estados Unidos. A avaliação é do ex-ministro da Agricultura Antonio Cabrera, feita ao analisar os desdobramentos do recente encontro entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping. Segundo Cabrera, o cenário atual exige cautela contra especulações de mercado.

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Mesmo com um compromisso firmado pelos chineses para adquirir 25 milhões de toneladas de soja americana até 2028, o ex-ministro descarta perdas expressivas para o agronegócio do Brasil. Ele lembra que a China já contratou 9 milhões de toneladas da safra dos Estados Unidos, mas o fluxo não altera a liderança nacional.

As projeções indicam que o Brasil deve exportar 115 milhões de toneladas da oleaginosa neste ano, índice 6% superior ao volume registrado em 2025. Cabrera reforça que a dinâmica das compras internacionais respeita o calendário agrícola de colheita dos dois principais produtores globais.

"No primeiro semestre, o Brasil, com a sua safra, domina o mercado. No segundo semestre, entra a safra americana e ela naturalmente recupera o seu espaço", pontua o ex-ministro da Agricultura.

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Na visão de Antonio Cabrera, a estrutura do parque industrial de esmagamento no país asiático favorece a produção nacional. Ele explica que 70% das indústrias chinesas de processamento pertencem ao setor privado, sendo 30% locais e quase 40% multinacionais estrangeiras.

Essas plantas operam sob a lógica estrita de custos. A prioridade de aquisição é guiada pela margem de lucro e pelo valor da saca no porto, e não por preferências diplomáticas. "Enquanto a soja brasileira for mais competitiva, não é automático que ela vai trocar a soja chinesa pela soja brasileira. Por quê? Preço", destaca Cabrera.

Ele acrescenta que eventuais remessas dos Estados Unidos para atender os chineses abrem espaço em outros polos consumidores: parceiros internacionais desatendidos pelos americanos tendem a buscar grãos e derivados no mercado do Brasil.

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Apesar do equilíbrio comercial favorável, o ex-ministro alerta para a necessidade de o agronegócio diversificar seus destinos de venda e industrializar a produção primária, transformando o grão em farelo, proteína animal e biocombustível.

Segundo Cabrera, o setor enfrenta travas tributárias internas para avançar nessa cadeia de agregação de valor. Ele cita a cobrança da alíquota máxima sobre o óleo de soja na reforma tributária como um entrave que encarece o processamento nacional do produto.

Para o especialista, o Brasil deve acompanhar a postura das grandes potências e fortalecer sua atuação institucional externa. Cabrera frisa que a atitude do governo americano em defender a agricultura em reuniões bilaterais de cúpula precisa servir de aprendizado para a formulação da política externa e comercial do agronegócio brasileiro.

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