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Sorgo, o ‘seguro agrícola’ natural que ganha espaço no campo brasileiro

Quinto cereal mais produzido no mundo, cultura é vital para a safrinha no Cerrado e se destaca pela resistência à seca e versatilidade de uso

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25/12/2025 13:53 • Atualizado há 304 dias

Sorgo, o ‘seguro agrícola’ natural que ganha espaço no campo brasileiro

O sorgo (Sorghum bicolor L. Moench) consolida-se cada vez mais como uma peça-chave no agronegócio nacional, ocupando o posto de 5º cereal mais produzido no planeta. Originária da África, a cultura destaca-se pela alta rusticidade e resistência ao calor, o que a torna uma alternativa estratégica para produtores rurais que enfrentam janelas de plantio arriscadas ou regiões com déficit hídrico.

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Segundo especialistas da Embrapa Milho e Sorgo, a planta possui uma eficiência fotossintética diferenciada (do tipo C4). Na prática, isso significa que ela tolera o estresse hídrico muito melhor do que o milho, apresentando ainda um menor custo de produção.

Essa característica faz do grão um verdadeiro "seguro agrícola" natural. Ele é fundamental para manter a produtividade em áreas onde o risco climático para outras culturas seria elevado, especialmente na segunda safra, popularmente conhecida como "safrinha".

Versatilidade que impulsiona o mercado

Embora seja frequentemente comparado ao milho, o sorgo possui uma versatilidade que vai muito além da substituição na ração animal. A Embrapa classifica a cultura em cinco grupos principais, cada um com uma finalidade específica para a cadeia produtiva.

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O tipo mais comum é o Granífero, voltado para a produção de grãos destinados à alimentação de aves, suínos e bovinos. No entanto, este tipo também tem ganhado relevância na alimentação humana, sendo utilizado em farinhas e biscoitos.

Já o Sorgo Forrageiro é essencial para a pecuária, servindo para pastoreio direto, feno ou silagem, garantindo fibra de qualidade para ruminantes.

Outra categoria importante é o Sorgo Sacarino. Com colmo rico em açúcares, similar à cana-de-açúcar, ele é utilizado tanto para a produção de etanol quanto para silagem de alta qualidade energética.

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O setor de energia renovável também se beneficia do Sorgo Biomassa. Estas plantas, que podem atingir até cinco metros de altura, são queimadas em caldeiras para geração de energia elétrica. Por fim, existe o Sorgo Vassoura, cuja inflorescência longa é a matéria-prima tradicional para a fabricação de vassouras.

Geografia da produção e sucessão de culturas

No Brasil, a geografia do sorgo está intimamente ligada ao bioma Cerrado. De acordo com levantamentos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a cultura é tipicamente utilizada em sucessão à soja.

O estado de Goiás lidera o ranking nacional de produção, seguido por Minas Gerais e Bahia. Nestas regiões, o cereal desempenha um papel fundamental na rotação de culturas, protegendo o solo e garantindo renda ao produtor mesmo em períodos de chuvas escassas.

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Potencial na alimentação humana

Apesar de o mercado brasileiro ainda utilizar o grão majoritariamente para nutrição animal, existe um potencial crescente para o consumo humano.

O sorgo não contém glúten, o que o torna uma alternativa segura e nutritiva para celíacos. Além disso, dependendo da variedade, o grão é rico em antioxidantes, como taninos e antocianinas, alinhando-se às tendências de dietas funcionais.

Para o agronegócio, o sorgo deixa de ser apenas uma cultura de "tapa-buraco" na entressafra para se tornar um ativo de segurança alimentar e energética.

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