Super El Niño eleva risco de fogo nas três maiores florestas tropicais
O super El Niño ameaça as três maiores florestas tropicais do planeta nesta temporada: a Amazônia, a bacia do Congo e o Sudeste Asiático. Análises

Fumaça de queimadas suspende aulas em Manaus e afeta o ar
Reprodução/Band
O super El Niño ameaça as três maiores florestas tropicais do planeta nesta temporada: a Amazônia, a bacia do Congo e o Sudeste Asiático. Análises climatológicas indicam que o aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico reduz severamente as precipitações e multiplica o perigo de secas históricas e incêndios.
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Na Indonésia, as chamas já consumiram mais de 637 mil hectares nas ilhas de Bornéu e Sumatra. Estudos técnicos mostram que o fenômeno multiplica por 2,7 o risco de fogo extremo nessas matas úmidas.
Na Amazônia, o cenário também é crítico. Dados de satélite registraram o avanço das queimadas sobre setores centrais e orientais da floresta em outubro.
Em 2026, os focos de calor na Amazônia somam 41.224 registros, um salto de 63,4% na comparação com o mesmo período de 2025. O Amazonas já decretou situação de emergência em 36 municípios, incluindo a capital Manaus.
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Entenda o impacto no clima e no agronegócio
Em florestas tropicais, a vegetação densa normalmente retém umidade, mas as ações humanas associadas à seca extrema facilitam a queima. Quando a biomassa florestal queima, grandes volumes de carbono estocado são liberados na atmosfera, acelerando o efeito estufa e a degradação ambiental.
No Brasil, o boletim agroclimatológico alerta para o contraste típico do fenômeno: estiagem prolongada no Norte e Nordeste, contraposta a chuvas volumosas no Sul.
A situação climática atinge diretamente o plantio da safra de verão 2026/2027. Os produtores rurais enfrentam estresse hídrico — a escassez de água no solo para as raízes — em áreas de grãos do Norte, Nordeste e em Mato Grosso.
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Ao mesmo tempo, as lavouras do Sul sofrem com a umidade em excesso. O quadro exige cautela redobrada no manejo, já que os efeitos mais severos nas florestas costumam ocorrer no ano seguinte ao pico do evento climático.
Níveis dos rios e reservatórios em alerta
Além do campo, o sistema hídrico e energético opera sob forte pressão. Na Amazônia, 17 das 20 bacias monitoradas apresentam chuvas abaixo da média histórica, com destaque para a seca nos rios Juruá, Marañón e Ucayali.
O subsistema elétrico das regiões Sudeste e Centro-Oeste opera em 54,9% da capacidade, a menos de cinco pontos percentuais da cota de alerta.
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No Nordeste, as represas monitoradas pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) registram média de 45,4% da capacidade. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a reposição hídrica dos solos nessas regiões centrais deve começar apenas no fim de novembro.
