Eleições 2026Contagem regressiva para o 2º turno
1dias
:
04horas
:
02min
:
18seg
Agro

Super El Niño eleva risco de fogo nas três maiores florestas tropicais

O super El Niño ameaça as três maiores florestas tropicais do planeta nesta temporada: a Amazônia, a bacia do Congo e o Sudeste Asiático. Análises

2 min

22/10/2026 05:00 • Atualizado há 1 dia

Super El Niño eleva risco de fogo nas três maiores florestas tropicais

Fumaça de queimadas suspende aulas em Manaus e afeta o ar

Reprodução/Band

O super El Niño ameaça as três maiores florestas tropicais do planeta nesta temporada: a Amazônia, a bacia do Congo e o Sudeste Asiático. Análises climatológicas indicam que o aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico reduz severamente as precipitações e multiplica o perigo de secas históricas e incêndios.

Continua depois da publicidade

Na Indonésia, as chamas já consumiram mais de 637 mil hectares nas ilhas de Bornéu e Sumatra. Estudos técnicos mostram que o fenômeno multiplica por 2,7 o risco de fogo extremo nessas matas úmidas.

Na Amazônia, o cenário também é crítico. Dados de satélite registraram o avanço das queimadas sobre setores centrais e orientais da floresta em outubro.

Em 2026, os focos de calor na Amazônia somam 41.224 registros, um salto de 63,4% na comparação com o mesmo período de 2025. O Amazonas já decretou situação de emergência em 36 municípios, incluindo a capital Manaus.

Continua depois da publicidade

Entenda o impacto no clima e no agronegócio

Em florestas tropicais, a vegetação densa normalmente retém umidade, mas as ações humanas associadas à seca extrema facilitam a queima. Quando a biomassa florestal queima, grandes volumes de carbono estocado são liberados na atmosfera, acelerando o efeito estufa e a degradação ambiental.

No Brasil, o boletim agroclimatológico alerta para o contraste típico do fenômeno: estiagem prolongada no Norte e Nordeste, contraposta a chuvas volumosas no Sul.

A situação climática atinge diretamente o plantio da safra de verão 2026/2027. Os produtores rurais enfrentam estresse hídrico — a escassez de água no solo para as raízes — em áreas de grãos do Norte, Nordeste e em Mato Grosso.

Continua depois da publicidade

Ao mesmo tempo, as lavouras do Sul sofrem com a umidade em excesso. O quadro exige cautela redobrada no manejo, já que os efeitos mais severos nas florestas costumam ocorrer no ano seguinte ao pico do evento climático.

Níveis dos rios e reservatórios em alerta

Além do campo, o sistema hídrico e energético opera sob forte pressão. Na Amazônia, 17 das 20 bacias monitoradas apresentam chuvas abaixo da média histórica, com destaque para a seca nos rios Juruá, Marañón e Ucayali.

O subsistema elétrico das regiões Sudeste e Centro-Oeste opera em 54,9% da capacidade, a menos de cinco pontos percentuais da cota de alerta.

Continua depois da publicidade

No Nordeste, as represas monitoradas pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) registram média de 45,4% da capacidade. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a reposição hídrica dos solos nessas regiões centrais deve começar apenas no fim de novembro.