Agro

Super El Niño provoca efeitos diferentes em regiões brasileiras

Lavouras na região sul podem sofrer com encharcamento dos solos e em Mato Grosso, pode haver escassez hídrica

3 min

06/10/2026 14:28 • Atualizado há 3 horas

Super El Niño provoca efeitos diferentes em regiões brasileiras

Embrapa

Equipes da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) nas cinco regiões do país detalharam os riscos do fenômeno El Niño para a safra 2026/2027 e definiram recomendações práticas para mitigar perdas nas lavouras e na pecuária. As orientações técnicas foram elaboradas em conjunto com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

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Enquanto os agricultores e pecuaristas da Região Sul enfrentarão o excesso de chuvas e riscos de encharcamento dos solos, as demais regiões do país — Centro-Oeste, Norte, Nordeste e Sudeste — lidarão com o desafio oposto: escassez hídrica, irregularidade nas precipitações e temperaturas elevadas.

As medidas aprofundam 163 ações estruturadas pelo Grupo de Trabalho do El Niño do Mapa e buscam aumentar a resiliência dos sistemas produtivos frente aos extremos climáticos.

Centro-Oeste: Mato Grosso, Goiás e Distrito Federal apresentam maior risco de seca, veranicos e atraso nas chuvas de primavera, o que pode comprometer a semeadura da soja e o desenvolvimento do milho e algodão safrinha. Por outro lado, o sul de Mato Grosso do Sul tende a registrar chuvas acima da média. Recomenda-se seguir estritamente o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), priorizar cultivares tolerantes ao calor e manter a cobertura do solo.

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Nordeste: No Semiárido, o último quadrimestre de 2026 e o início de 2027 exigem atenção com o déficit hídrico e altas temperaturas. Apesar de os reservatórios estarem em uma situação mais confortável do que em anos anteriores (cerca de 51% da capacidade), a recomendação central é antecipar a formação de reservas de água e forragem, além de adotar cultivos alternativos como o sorgo em áreas de maior risco para o milho.

Norte: A Região Norte enfrenta redução e irregularidade das chuvas, com baixos níveis nos rios que afetam tanto a agropecuária quanto a navegação e o abastecimento. Estados como Acre, Amazonas, Rondônia e Roraima concentram os déficits mais severos. O manejo foca na conservação da umidade do solo, uso de cultivares tolerantes à seca, proteção de nascentes e irrigação localizada para frutíferas.

Sudeste: O fenômeno trará cenários divididos. São Paulo, Rio de Janeiro e o centro-sul de Minas Gerais podem registrar chuvas acima da média em momentos iniciais, favorecendo a safra e o café, embora São Paulo também enfrente riscos de calor e irregularidade. O norte mineiro e capixaba tende a sofrer com a escassez de água. O reforço da base biológica do solo e o uso de bioinsumos são apontados como estratégias fundamentais.

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Sul: A previsão aponta para chuvas intensas e concentradas entre setembro e dezembro, elevando os riscos de erosão, encharcamento e proliferação de doenças nas lavouras de trigo, arroz e soja. A principal palavra-chave para os produtores gaúchos, catarinenses e paranaenses é manter o solo coberto e investir em infraestrutura de drenagem e conservação.