Agro

Tilápia tem salto nas exportações, mas custos preocupam setor

As exportações de tilápia do Brasil crescem cerca de 32% em setembro e alcançam 852 toneladas, de acordo com dados da Embrapa apresentados pela Associação

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15/10/2026 05:00 • Atualizado há 13 horas

Tilápia tem salto nas exportações, mas custos preocupam setor

Divulgação/CNA

As exportações de tilápia do Brasil crescem cerca de 32% em setembro e alcançam 852 toneladas, de acordo com dados da Embrapa apresentados pela Associação Brasileira da Piscicultura (PEIXE BR). O avanço nas vendas externas contrasta com o aumento das despesas operacionais no campo e a pressão das importações sobre o mercado nacional.

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O volume exportado supera com folga as 646 toneladas registradas em agosto. Em faturamento, o salto financeiro é de US$ 3,51 milhões para US$ 3,68 milhões.

Apesar do desempenho favorável fora do país, os produtores enfrentam um cenário de aperto financeiro dentro das fazendas de cultivo. A combinação de preços estagnados e despesas crescentes com nutrição animal reduz os ganhos dos criadores.

Preço pago ao produtor recua em praças de MG e PR

No mercado interno, os valores pagos pela tilápia viva mostram estabilidade na maior parte das regiões, mas recuam em praças importantes, aponta levantamento do Cepea/Esalq-USP.

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A retração mais expressiva ocorre no Triângulo Mineiro e no Alto Paranaíba (MG), onde o quilo do peixe tem desvalorização de 2,29%, cotado a R$ 9,38.

Outras regiões também registram perdas no período:

  • Em Morada Nova de Minas (MG), o recuo atinge 0,75%.
  • No Norte do Paraná, a queda nos preços pagos aos criadores chega a 0,59%.

A fraqueza nas cotações reflete diretamente a situação do atacado de filé congelado, que mantém demanda retraída e dificuldade para repassar reajustes aos supermercados.

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A comercialização enfrenta retração de preços em São Paulo e Minas Gerais. O Paraná é a única praça avaliada com leve valorização no atacado, mantendo a rentabilidade dos frigoríficos sob forte aperto.

Alta do milho e farelo de soja encarece a ração

O principal entrave da atividade produtiva está na composição da alimentação animal. O aumento nas cotações do milho e do farelo de soja, bases da ração comercial, eleva os custos de produção na piscicultura.

Com isso, o poder de compra do piscicultor frente à ração com 32% de proteína cai pelo terceiro mês consecutivo em setembro, segundo o Cepea.

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A despesa com nutrição representa a maior fatia do investimento na engorda da tilápia. Quando a ração sobe e o peixe perde valor de venda, a margem de lucro diminui drasticamente, exigindo cautela na gestão dos plantéis.

Concorrência de importados do Vietnã avança 11%

Além dos custos internos, a entrada de filés importados traz novo desafio ao produto brasileiro. As compras externas de tilápia vindas do Vietnã somam cerca de 1.324 toneladas em setembro, alta de 11% frente a agosto.

O Estado de São Paulo é o principal destino das cargas asiáticas, que desembarcam a um preço médio de US$ 4,35 por quilo. Esse patamar supera a média de US$ 4,14 observada entre janeiro e setembro.

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