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Touro Bandido: conheça a história do ícone das arenas de rodeio

Animal derrubou mais de 200 peões ao longo da carreira e marcou a história dos rodeios no país com rotina de atleta e legado na genética bovina

3 min

22/08/2026 07:00 • Atualizado há 10 dias

Touro Bandido: conheça a história do ícone das arenas de rodeio

O touro Bandido consolidou o nome como uma das maiores lendas dos rodeios brasileiros e mundiais ao longo dos anos 1990 e 2000. Reconhecido pela dificuldade que impunha aos competidores, o animal acumulou um histórico expressivo de invencibilidade e desafiou os principais nomes do esporte nas arenas nacionais.

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Nascido em Goiás em 1994, o animal pertencia inicialmente a um cigano, responsável pelo batismo que o acompanharia por toda a trajetória. Após passar por diferentes companhias do setor, o touro foi adquirido em 2002 pelo tropeiro Paulo Emílio Marques, proprietário da Cia de Rodeios Paulo Emílio, pelo valor de R$ 10 mil. Estimativas de leiloeiros apontam que, no mercado atual, o animal superaria a marca de R$ 1 milhão.

Na arena, o touro demonstrava um comportamento característico que chamava a atenção do público. Ao ingressar nas competições, encarava as arquibancadas e arrastava uma das patas no chão antes do início da montaria.

Ao longo de sua trajetória nas arenas, o animal derrubou mais de 200 peões, entre eles o tricampeão mundial em montarias em touro, Adriano Moraes. Apenas um competidor conseguiu cumprir a meta regulamentar de oito segundos sobre o animal: o paranaense Carlos de Jesus Boaventura, conhecido como Carlinhos Boaventura, no Rodeio de Jaguariúna (SP), em 2001.

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Para manter a capacidade física e atlética, o touro contava com um manejo diferenciado na fazenda Santa Martha, propriedade de Paulo Emílio Marques localizada em Icém (SP). A rotina diária incluía atividades físicas estruturadas, como caminhadas, natação e treinos de pulos em uma pista particular.

O animal também dispunha de acompanhamento veterinário frequente e dieta balanceada. No auge do rendimento físico, atingiu 1,1 tonelada (1.100 kg), porte significativamente acima da média de touros de rodeio convencionais, que oscila entre 700 e 800 quilos.

Para os deslocamentos até os eventos, a equipe utilizava um transporte exclusivo. O animal viajava isolado em uma carreta adaptada, equipada com climatizador de ar, água fresca e alimentação específica para o trajeto.

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A carreira esportiva do animal encerrou-se oficialmente em setembro de 2008, mesmo ano em que exames diagnosticaram um câncer de pele maligno na região ocular. O bovino foi submetido a sessões de quimioterapia, mas o quadro clínico avançou e a doença atingiu áreas da cabeça, pulmão e garganta.

A morte ocorreu na manhã do dia 4 de janeiro de 2009, na fazenda de Icém. A despedida reuniu centenas de admiradores durante cerimônia fúnebre realizada no Parque do Peão, em Barretos (SP), sede tradicional da Festa do Peão de Barretos. No local do sepultamento, dentro do Parque do Peão, foi erguido um monumento em sua homenagem, espaço que se tornou ponto de visitação do público do evento.

O legado do animal permaneceu ativo por meio da biotecnologia reprodutiva. O touro deixou cerca de 70 descendentes e duas mil doses de sêmen congeladas para uso na pecuária esportiva.

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Além disso, o material genético serviu para a produção de três clones em laboratórios nacionais, batizados de Zangão, Matador e Carrancudo — sendo Zangão o exemplar com características mais próximas às do pai. Em 2019, técnicas de fertilização in vitro possibilitaram o nascimento de um bezerro fruto do cruzamento genético entre os touros Bandido e Agressivo.

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