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Agro

Trigo: semeadura lenta e preços em alta marcam início da safra no Sul

Cotações do cereal sobem no mercado interno impulsionadas pela baixa qualidade do produto importado e pela postura retraída dos produtores rurais

2 min

12/05/2026 12:08 • Atualizado há 166 dias

Trigo: semeadura lenta e preços em alta marcam início da safra no Sul

O plantio de trigo começou na região sul do Brasil com destaque para o Paraná, mas o ritmo dos trabalhos de campo ainda é considerado lento. De acordo com dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), até o dia 1º de maio, apenas 5% da área destinada ao trigo no território paranaense havia sido semeada. Este índice está significativamente abaixo dos 14% registrados no mesmo período do ano passado e também da média dos últimos cinco anos, que é de 15,4%.

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No cenário nacional, a área semeada alcançou 9,9% até a mesma data. O número representa um atraso em relação aos 13,1% observados no mesmo período de 2025 e aos 13% da média quinquenal (período de cinco anos). Paralelamente ao plantio devagar, os preços do grão seguem em elevação no mercado doméstico brasileiro.

Custos elevados desestimulam produtores

Segundo análise do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab), o cenário atual ainda não é suficiente para atrair grandes investimentos dos triticultores paranaenses. Triticultores são os produtores rurais especializados no cultivo do trigo. Mesmo com a recente recuperação dos valores pagos pela saca, o setor enfrenta o desafio dos altos custos de produção.

Esse desequilíbrio entre o preço de venda e o custo para plantar mantém a tendência de redução da área semeada no estado. Muitos agricultores preferem aguardar uma estabilização econômica ou melhores condições de mercado antes de colocar as máquinas em campo de forma intensiva.

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Retração vendedora e qualidade do trigo argentino

Pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) explicam que a alta nos preços reflete a postura dos vendedores. Com a oferta remanescente da safra de 2025 limitada, quem tem o grão estocado adia as negociações à espera de valores ainda mais elevados no futuro próximo.

Do lado da indústria e dos moinhos, a preferência continua sendo pelo produto nacional. Essa demanda interna aquecida ocorre devido a dificuldades relacionadas à qualidade do trigo importado da Argentina. Quando o cereal de fora não atende aos padrões exigidos para a panificação, o grão brasileiro ganha ainda mais valor de mercado.

A semeadura é o processo técnico de lançar as sementes à terra para iniciar o cultivo. O mercado doméstico refere-se às transações comerciais feitas dentro do Brasil. O monitoramento desses dados é fundamental para prever o preço final de produtos derivados, como o pão e as massas, na mesa do consumidor.

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