Triticale avança na indústria de alimentos e pode substituir trigo
Cereal passa por testes de panificação e confeitaria, realizados pela Embrapa Trigo e a agroindústria Vilma Alimentos

Alfredo Nascimento Jr/Embrapa
Análises de qualidade industrial realizadas em uma agroindústria apontam que o triticale, cereal obtido por meio do cruzamento entre trigo e centeio, é uma alternativa viável para a alimentação humana. Os testes estão sendo conduzidos pela Vilma Alimentos (MG) em parceria com a Embrapa Trigo (RS) e indicam que a farinha do cereal pode substituir a farinha de trigo na fabricação de diversos produtos, com destaque para a indústria de biscoitos.
Continua depois da publicidade
A avaliação abrange 11 produtos, e já foi constatada a viabilidade de uso em seis deles. Em dois tipos de biscoitos, a substituição da farinha de trigo pela de triticale pôde ser feita integralmente, sem perda de qualidade. O cereal garante crocância e firmeza, o que permite eliminar o uso de aditivos químicos para alcançar esses atributos.
O triticale é considerado um cereal de inverno e é cultivado na região sul. Em outras pesquisas, também já foi comprovado que cereais de inverno têm aptidão para produzir etanol.
Resultados industriais e testes de campo
Os testes demonstram que a substituição total é viável na produção de biscoitos moldados, mantendo boa expansão e características similares aos padrões tradicionais. Já a substituição parcial é recomendada em wafers, bolos, pizzas e biscoitos laminados doces, conhecidos popularmente como biscoitos de maisena, onde o limite chega a 30% de substituição. Na panificação, a mistura indicada é de 50% de trigo e 50% de triticale, restrita a pães de baixo crescimento.
Continua depois da publicidade
Em 2026, experimentos conduzidos na Fazenda Lagoa, em Carandaí (MG), testaram cultivares como BRS Saturno, BRS Piapara e BRS Zênite. O rendimento superou as expectativas na região, ultrapassando seis toneladas por hectare em sistema irrigado. O cereal demonstra boa tolerância à seca, raízes profundas e adaptação a solos ácidos e arenosos.
Histórico e perspectivas da cultura no Brasil
Desenvolvido por melhoramento genético para unir a qualidade do trigo à rusticidade do centeio, o triticale chegou ao Brasil na década de 1980 por intermédio da Embrapa Trigo. Historicamente, o cultivo concentrou-se na Região Sul para uso como forragem ou ração animal. Atualmente, o país conta com 24 cultivares cadastradas no Registro Nacional de Cultivares do Mapa.
Com o avanço das pesquisas e o interesse crescente da indústria de alimentos integrais, impulsionado pelo mercado de produtos funcionais, a destinação do cereal para humanos ganha força. A adaptação de novas cultivares pode inserir o cultivo do cereal nas estatísticas oficiais do Cerrado nos próximos anos.
