Vacas leiteiras sofrem com calor e produção pode cair até 20%
O calor intenso sobre o rebanho leiteiro exige cuidados imediatos dos produtores em diferentes regiões do Brasil, pois as altas temperaturas reduzem a

O calor intenso sobre o rebanho leiteiro exige cuidados imediatos dos produtores em diferentes regiões do Brasil, pois as altas temperaturas reduzem a produção de leite em até 20%. A condição, que deve ser sentida na maior parte do país nos próximos dias, com a ascensão das temperaturas, acende o sinal de alerta no campo.
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Projeções da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) apontam 75% de probabilidade de o fenômeno El Niño atingir uma das maiores intensidades observadas desde 1950. As previsões indicam sucessivas ondas de temperatura elevada no país, fator que compromete o desempenho zootécnico e a eficiência reprodutiva das fêmeas.
Quando o ambiente esquenta além do limite de tolerância, a vaca leiteira não consegue dissipar o calor corporal. Os primeiros sinais clínicos envolvem respiração ofegante, alterações de comportamento e procura constante por áreas sombreadas.
Em busca de alívio, os animais passam a maior parte do tempo em pé na tentativa de ventilar a superfície do corpo. Com isso, gastam energia tentando resfriar o organismo em vez de se alimentar, o que diminui o consumo da ração e reduz a circulação de sangue no úbere.
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Segundo Hilton do Carmo Diniz Neto, médico-veterinário da Cargill Saúde e Nutrição Animal, a falta de controle ambiental gera prejuízos imediatos na fazenda. Ele ressalta que o confinamento inadequado e a superlotação de lotes intensificam os danos aos animais.
Estrutura das instalações e água limpa
Para evitar que o estresse térmico comprometa o rebanho, as instalações precisam oferecer ventilação eficiente e barreiras contra a radiação solar. O uso de ventiladores e sistemas de aspersão com água exige manutenção preventiva contínua.
Nas propriedades com sistema a pasto, os piquetes devem ter sombreamento natural ou artificial bem dimensionado, principalmente nos horários de sol mais forte. Sem sombra acessível, o lote disputa espaço e sofre desgaste físico acelerado.
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A hidratação também demanda atenção redobrada do produtor rural. A água deve permanecer fresca, limpa e disponível ao longo de todo o dia em cochos bem distribuídos. O dimensionamento correto impede disputas e permite que as vacas bebam sem estresse.
Manejo nutricional preserva o rebanho
No calor extremo, o animal diminui espontaneamente a ingestão de matéria seca, termo técnico que define o alimento sem a fração de água, onde estão concentrados os nutrientes essenciais. A perda de apetite desequilibra a dieta e faz a produtividade do leite desabar.
Neto explica que uma alternativa eficiente consiste em alterar os horários de fornecimento do trato no cocho. Ao colocar o alimento nos períodos mais frescos do dia, como início da manhã ou fim da tarde, o produtor estimula o consumo natural.
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A conservação da dieta no cocho é outro ponto fundamental no manejo diário. Sob calor intenso e exposição prolongada ao tempo, a ração fermenta mais rápido e perde valor nutricional.
O veterinário orienta que a equipe de manejo recolha as sobras com frequência para evitar alimentos estragados no cocho. A combinação entre ambiente bem ventilado, água farta e dieta equilibrada garante a sanidade das vacas e sustenta os índices da atividade leiteira.
